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domingo, 5 de abril de 2015

Felipe Nasr e alguns segredos da fábrica da Sauber

 © 2015 - Sauber F1 Team
Quem vê, pode até pensar que estou sendo pago pela Sauber, de tanto que elogio a sua atuação nas mídias sociais, mas não é o caso. É que a equipe suíça tem usado tão bem a comunicação digital, com o objetivo de se aproximar dos fãs, que não tem como ignorar o bom trabalho feito até agora.

Na semana passada, a equipe publicou mais um vídeo bem interessante, entre tantos outros disponíveis em seu canal no YouTube. Desta vez, a Sauber dá aos fãs a oportunidade de conhecer um pouco de sua fábrica, em Hinwil, e parte da produção de seus carros, por meio de uma visita guiada pelo piloto brasileiro Felipe Nasr.

Na primeira parte do vídeo, Felipe explica que, depois que os projetistas desenham cada parte do carro, elas são produzidas, a laser, na Sala de Protótipos Rápidos (Rapid Prototype Room). Cada peça, independentemente de sua complexidade, leva entre 3 e 24 horas para ser produzida.

 © 2015 - Sauber F1 Team
 Felipe Nasr explica como é produzida cada peça dos carros da Sauber, em um processo a laser

Após este processo, as peças são instaladas em um modelo com 60% do tamanho original do carro, para que sejam testadas no túnel de vento e se descubra de que maneira elas afetam seu desempenho. Em seguida, são novamente produzidas, desta vez para a escala de 100%.

E é na sala de controle do túnel de vento que uma equipe de profissionais especializados simula cada posição do carro quando está na pista, em um processo que dura, no máximo, dez minutos. Para se ter uma ideia do que um túnel de vento é capaz, ele produz certa de 4 mil cavalos de potência, em uma turbina de seis metros de diâmetro, movimentando um milhão de litros de ar por minuto.

 © 2015 - Sauber F1 Team
 Para testar a aerodinâmica dos carros, um imenso túnel de vento com uma turbina de seis metros de diâmetro

Na sala de limpeza, cada parte do carro é cuidadosamente tratada, eliminando-se qualquer particula de sujeira antes da colagem das camadas de fibra de carbono. Posteriormente, as peças são levadas à autoclave, um forno imenso onde são, literalmente, cozidas a uma temperatura de 150 graus centígrados, durante quatro horas. É dessa forma que cada parte do carro ganha a rigidez necessária.

Achou interessante? Então assista ao vídeo abaixo e deixe sua opinião na área de comentários deste post. :-)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ayrton Senna e a imagem distorcida do mito

Passados quase 21 anos, não é difícil imaginar por que Ayrton Senna continua sendo lembrado como um dos grandes gênios da Fórmula 1. E não há nada de errado nisso, afinal, quem o viu nas pistas sabe muito bem que não há nada mais justo do que tratá-lo dessa forma.

Mas desde o trágico acidente no GP de San Marino, em 1994, não há como ser indiferente à maneira com a qual sua imagem é vista hoje no Brasil: a de alguém maior do que o esporte que praticou durante toda a vida, de um piloto temido por todos, mas ao mesmo tempo injustiçado, à prova de falhas e incapaz de cometer qualquer atitude condenável no âmbito esportivo e fora dele. Imagem esta alimentada há duas décadas pela imprensa e por sua própria família, que sempre fez questão de controlar tudo que esteja vinculado a seu nome - e não há problema algum nisso -, mas dessa forma mantendo a imagem distorcida do mito.

O exemplo mais recente dessa distorção pode ser visto na campanha lançada esta semana pela Allianz Seguros, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, com o objetivo de homenagear o tricampeão vinculando-o a algo ou alguém superior à imagem de um piloto bem-sucedido. A frase usada pela Allianz no vídeo abaixo, inclusive, referindo-se a Senna como o homem maior que o piloto, já dá um indício do estrago.

O vídeo mostra a famosa cena do socorro ao piloto francês Érik Comas nos treinos livres do GP da Bélgica, em 1992, com uma dimensão tão exagerada aos fatos que beira o absurdo, como se ele estivesse à beira da morte e que algo pior não aconteceu porque Senna apareceu no momento certo.


No texto de divulgação, além de pedirem às pessoas para que relatem nas redes sociais, por meio da hashtag #meumomentosenna, fatos pessoais ou profissionais em que se sentiram Ayrton, ou seja, verdadeiros campeões (confesso que me dá enjoo quando leio essas coisas), há uma informação incorreta: Comas não corria pela Renault - que não existia como equipe em 1992 - e sim pela Ligier.

Quem realmente acompanhou a carreira de Ayrton, admirando o esporte em si e mantendo o olhar crítico, sabe que a realidade foi bem diferente. Senna foi um gênio das pistas, sim, mas capaz de cometer erros como qualquer outro piloto que queira se sobressair em um ambiente tão hostil como a Fórmula 1. E isso inclui alguns desvios de conduta, como a "vingança" contra Alain Prost, no GP do Japão de 1990. Por mais tenha sido sacaneado na temporada anterior, nada justificava o que fez contra Prost no ano seguinte.

Senna foi um dos pilotos mais talentosos que o mundo já viu. Ele não apenas provocou profundas mudanças no automobilismo, a ponto de se tornar referência para outros jovens pilotos, mas também foi um dos nomes mais marcantes que a categoria já teve em seus quase 65 anos de história. Enfim, era alguém cuja carreira valia a pena acompanhar, mas cuja imagem insistem em levar a um patamar totalmente fora da realidade, transformando-o em uma espécie de Evita Perón das pistas. Melhor fariam se deixassem o cara descansar em paz.