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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O que esperar do GP de Abu Dhabi?

Daqui a dois dias, a Fórmula 1 encerra a temporada de 2014 trazendo para Abu Dhabi uma das decisões mais aguardadas nos últimos anos. E isso por conta da reviravolta na fase final do campeonato, quando, a partir do GP da Itália, Lewis Hamilton, aparentemente, aprendeu a lidar com a pressão psicológica de Nico Rosberg, dando início à incrível sequência de cinco vitórias que levou à liderança do Mundial de Pilotos.


Foi nesse momento que, a meu ver, Rosberg vacilou, perdendo oportunidades cruciais para colocar o jogo novamente a seu favor. Se a sequência de quatro pódios, incluindo a vitória em Interlagos, não o deixou tão afastado de Hamilton na tabela de pontos, o abandono em Cingapura pode ter sido determinante para que o sonhado título tenha lhe escapado das mãos de forma antecipada, colocando-o em evidente desvantagem no circuito de Yas Marina.

Se por um lado a pista dos Emirados Árabes causa impacto pelo luxo e exuberância, por outro é capaz de produzir uma das corridas mais monótonas do campeonato, mesmo com mais uma decisão de título nas costas (a primeira foi em 2010, com Sebastian Vettel campeão). Sendo mais uma cria de Hermann Tilke, a pista é, ao longo de seus 5.554 km de distância, um mix de longas retas, que exigem o máximo do motor, e trechos de baixa velocidade, castigando os freios.


De certo modo, não deixa de ser um desafio aos pilotos, embora não garanta a frequência de ultrapassagens que todos gostaríamos de ver. De interessante mesmo, só o fato de a corrida ter início ao entardecer e terminar já durante a noite.

A combinação de resultados em Abu Dhabi, somada à idiotice da pontuação dobrada desta última etapa, dá a Hamilton uma vantagem considerável para garantir o título, embora a tarefa não seja nada fácil. Se vencer ou terminar em segundo, independentemente da posição de Rosberg, subirá ao pódio de Yas Marina como bicampeão. Se Rosberg vencer a corrida, terá que torcer para que Hamilton termine em terceiro para ser o campeão. Com Rosberg terminando em segundo, o título só virá caso Hamilton tenha um mau desempenho e não passe da sexta posição, o que é pouco provável, embora não impossível.

Existem outras possibilidades de resultados que, provavelmente, farão com que os torcedores mais fanáticos fiquem fazendo cálculos durante todo o andamento da corrida, o que pode ser bem interessante. Mesmo em Abu Dhabi.

Crédito das imagens: The Independent e Formula 1® - The Official F1® Website

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eliseo Salazar chega aos 60!

O chileno Eliseo Salazar, que hoje comemora 60 anos de vida, é o único piloto de seu país a ter chegado à Fórmula 1. E lá se vão mais de 30 anos. Para os fãs brasileiros, este nativo de Santiago, nascido em 14 de novembro de 1954, é conhecido até hoje por uma única razão, indepentemente de qualquer resultado que tenha tido na categoria: ter levado uns sopapos de ninguém menos do que Nélson Piquet.

Após alguns anos disputando provas de rali e de Fórmula 4, no Chile e na Argentina, Salazar foi tentar a sorte na Europa em 1979, onde disputou a Fórmula 3 Britânica - graças a uma de Piquet - e, no ano seguinte, a Fórmula Aurora, onde foi vice-campeão.

A estreia na Fórmula 1 se deu em 1981, na March, com a qual só conseguiu disputar o GP de San Marino, que abandonou por problemas na pressão do óleo. Nesse mesmo ano, trocou de equipe, assinando com a Ensign, onde também não teve muita sorte, encerrando a temporada com apenas um ponto, obtido no GP da Holanda. Em 1982, já pela equipe alemã ATS, abandonou em quase todas as etapas, tendo como único bom resultado um quinto lugar em San Marino. Mas foi no GP da Alemanha, em Hockenheim, que tornou-se famoso e protagonizou a cena que marcaria para sempre sua carreira de piloto.

Salazar a bordo do Ensign N180B, no GP do Canadá, em Montréal

Nélson Piquet (Brabham) liderava a prova sem grande esforço, após ultrapassar Alain Prost (Renault) logo após a largada e René Arnoux (Renault) já na segunda volta. Tudo corria bem até a 18ª volta, quando encontrou Salazar pelo caminho, na 13ª posição e com uma volta a menos. Piquet ultrapassou o chileno sem problema algum, mas ao fazer a tomada para a Ostkurve, Salazar calculou mal o tempo de frenagem e atingiu levemente o pneu traseiro esquerdo da Brabham, levando os dois ao abandono.

Imediatamente, Piquet sai furioso do carro e vai em direção a Salazar, provavelmente gastando seu estoque de palavrões. Sem dar qualquer chance ao colega, o piloto brasileiro inicia um festival de socos e pontapés, resultando em uma das cenas mais cômicas da história da Fórmula 1.

Piquet e Salazar, durante a briga em 1982, e anos depois, tirando um sarro de toda a situação

"Quando vi que ele vinha mesmo para brigar, nem tirei o capacete. Não sou burro! Com outro piloto, talvez eu tivesse reagido, mas com o Piquet eu não tive coragem, pois sempre achei que devia em muito a ele o fato de estar na Fórmula 1", disse Salazar alguns anos depois.


Para se manter na categoria, Salazar tentou fechar um acordo para a então novata Toleman no ano seguinte. As conversas não deram resultado e acabou assinando com a RAM, pela qual já havia corrido na Fórmula Aurora. E os resultados, novamente, não saíram como o esperado. No Brasil, terminou na 15ª posição, e nos Estados Unidos, em Long Beach, abandonou com problemas no câmbio.

Nesse período, o Chile atravessava uma séria crise econômica, que acabou de vez com as chances de Salazar. Sem conseguir ajuda de novos patrocinadores, não restou outra saída senão dizer adeus à Fórmula 1, com um saldo de 23 Grandes Prêmios disputados, três pontos conquistados e 14 abandonos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O primeiro título de Michael Schumacher

Hoje, dia 13 de novembro, faz 20 anos que Michael Schumacher conquistou seu primeiro título na Fórmula 1. E a conquistou veio de forma polêmica, jogando o carro pra cima de Damon Hill, o que acabou manchando parte de sua bela carreira. A partir daí, isso fez com que muitos fãs da categoria - principalmente os brasileiros - o classifiquem até hoje como um piloto sujo. Seus feitos nas temporadas seguintes - incluindo a de 1997, onde novamente aprontou, contra Jacques Villeneuve - provaram o quanto estavam e estão errados.

Depois de uma temporada conturbada e inesquecível no âmbito emocional - quando viu a morte de perto na categoria, com as perdas de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna -, Schumacher ainda precisou enfrentar o rigor da FIA, com quatro punições resultantes do não cumprimento a um stop & go no GP da Inglaterra, suspensão de duas corridas para pagar a infração (Itália e Portugal) e de irregularidades encontradas em seu carro no GP da Bélgica. Com isso, aos poucos, Schumacher viu Hill se aproximando da luta pelo título, chegando à Austrália com diferença de apenas um ponto.

O que se viu a partir daí, entrou para a história. Schumacher campeão - às custas de um sorriso cínico e das lágrimas de Hill - e Nigel Mansell vencendo pela última vez na Fórmula 1.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Para quem gosta de miniaturas

Para quem curte miniaturas da Fórmula 1, a Eaglemoss Collection está lançando, a partir de dezembro, a coleção Lendas Brasileiras do Automobilismo. No total, serão 60 miniaturas de metal, em escala 1:43, dos carros dos pilotos brasileiros que já passaram pela categoria - cada uma com seu respectivo fascículo. Segundo consta no site, serão miniaturas "dos anos 1950 aos nossos dias".


Não vi nenhuma lista dos modelos dos carros em questão, mas se ela incluir os nomes de Chico Landi, Fritz d'Orey, Hermano da Silva Ramos e Gino Bianco, com certeza será uma coleção de respeito.

Confesso que sempre fico receoso com coleções desse tipo, de longa duração, pois se não houver muito interesse do público, há sempre o risco de o projeto ser interrompido, deixando um monte de gente chupando o dedo. O preço, obviamente, não é nada animador, mas quem estiver disposto a gastar uns bons trocados nessa brincadeira, é só clicar no link da pré-venda.

terça-feira, 3 de junho de 2014

O show de Senna e Bellof em Mônaco

Quem conhece bem a carreira de Ayrton Senna sabe que, desde 1993, quando bateu o recorde de Graham Hill, ele detém o posto de Mr. Mônaco, colecionando seis vitórias em Monte Carlo, sendo cinco delas consecutivas.

Ayrton Senna em seu primeiro momento de destaque na Fórmula 1

Mas Senna começou a brilhar nas ruas de Monte Carlo muito antes de sua primeira vitória neste circuito, em 1987. Foi há exatos 30 anos, quando era apenas um estreante na Fórmula-1, correndo pela modesta Toleman. Até então, Senna vinha fazendo uma temporada regular, dentro das possibilidades que seu equipamento permitia, apesar do bom desempenho do motor Hart.

O GP de Mônaco era a sexta etapa do campeonato e o piloto brasileiro somava, até ali, apenas dois pontos, resultantes de um sexto lugar na África do Sul, cujo esforço resultou em um esgotamento físico logo após o término da prova, e outro na Bélgica, o que era excelente para um estreante.

Nélson Piquet, sofrendo com a fragilidade do motor BMW de sua Brabham, não tinha a mesma sorte e levava para Monte Carlo a esperança de acabar com a série de cinco abandonos consecutivos naquele ano.

Confusão na largada

Mesmo com a forte chuva que caía sobre o Principado, causando um atraso de 45 minutos, a largada foi autorizada. Na primeira volta, mantendo a tradição, um acidente na curva Saint Devote tirou de cena a dupla da Renault, Patrick Tambay e Derek Warwick, com prejuízo ainda maior para Tambay, que encerrou o fim de semana com uma fratura na perna.

Ao final da primeira volta, Senna, largando em 13º, já ocupava a nona posição, logo atrás de Jacques Laffite, da Williams. Para Senna, era nítido que, apesar da desvantagem de seu motor Hart em relação aos turbos das outras equipes, a baixa velocidade dos carros representaria uma enorme vantagem na pista molhada. E foi exatamente o que aconteceu. Enquanto Nigel Mansell lutava para tirar a liderança de Alain Prost, Senna ia ganhando posições a cada duas ou três voltas.

Com o abandono de Mansell na 15ª volta, Senna pulou para a terceira posição. Mas isso não bastava para o piloto brasileiro, que demonstrava um ritmo e um talento impressionante. Outro destaque era o alemão Stefan Bellof, da Tyrrell, fazendo milagre com um motor aspirado. A essa altura, Piquet já havia abandonado a prova com um problema elétrico.

Festival de ultrapassagens

Bellof largara em último, na 20ª posição (nessa época, apenas 20 carros largavam em Mônaco). Assim como Senna, foi pouco a pouco conquistando posições no decorrer da prova, aproveitando-se dos abandonos de Michele Alboreto e Mansell, que vinham mais à frente, mas também realizando belas ultrapassagens.

O alemão Stefan Bellof, a bordo do Tyrrell 012

Senna precisou de mais três voltas para tomar a segunda posição de Niki Lauda, companheiro de Prost na McLaren, passando a perseguir o francês e a tirar uma média de três segundos de diferença a cada volta. Bellof, tão inspirado quanto Senna, já tinha deixado Arnoux para trás e vinha em terceiro. Com a chuva aumentando cada vez mais, o diretor da prova, o ex-piloto Jacky Ickx, não pensou duas vezes e, visando a segurança de todos os envolvidos, optou pelo cancelamento da corrida, depois de 31 voltas, no exato momento em que Senna ultrapassava Prost.

Senna cruzou a linha chegada com o braço levantado, em aparente sinal de vitória. Enquanto isso, na cabine da Globo, Galvão Bueno e Reginaldo Leme gritavam a todo instante, em êxtase, atribuindo a Senna uma vitória que - é sempre bom lembrar - nunca lhe pertenceu. Pelo regulamento, em caso de bandeira vermelha, seriam válidas as posições dos carros na volta anterior. E Senna sabia disso, embora não concordasse com a decisão de Ickk. Mesmo assim, decidiu comemorar ainda dentro do carro, pois tinha uma noção clara do que havia acabado de fazer na pista, em benefício próprio e também de sua equipe.

Naquele dia, 3 de junho de 1984, Senna simplesmente mostrou a que veio, dando início a uma das mais belas e vitoriosas carreiras já vistas na Fórmula 1. A partir daí, resto é história. Bellof, infelizmente, morreria um ano depois em uma prova com carros protótipos, durante os 1000 km de Spa-Francorchamps, na Bélgica, após se envolver em um acidente com Jacky Ickx na temida curva Eau Rouge.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Roland Ratzenberger: 20 anos depois

Roland RatzenbergerEm maio de 1986, a Fórmula 1 viu, pela última vez, um de seus pilotos morrer em decorrência de um acidente nas pistas. Foi quando o italiano Elio de Angelis perdeu o controle de sua Brabham BT55 durante testes particulares em Paul Ricard, na França, falecendo um dia depois.

Há 20 anos, o fantasma da morte decidiu cobrar novamente seu preço. E na tarde do dia 30 de abril de 1994, durante os treinos de classificação para o GP de San Marino, em Ímola, a Fórmula-1 perdia não só mais uma batalha contra o perigo, mas também o jovem austríaco Roland Ratzenberger.

Nascido em Salzburgo, em 1960, Ratzenberger alimentou desde criança sua paixão pelos carros. O interesse precoce era tanto que, aos quatro anos, era capaz de reconhecer a marca de qualquer automóvel que passasse em frente à sua casa. O gosto pela velocidade e pelas competições não demorou a chegar, e Roland acompanhava as corridas com atenção, especialmente quando havia algum piloto austríaco na disputa. Não foi à toa que, aos dez anos, Roland desabou em lágrimas ao ouvir pelo rádio as primeiras notícias da morte de seu ídolo, Jochen Rindt, durante os treinos para o GP da Itália de 1970, em Monza.


Seu pai, Rudolf, bem que tentou afastá-lo das pistas, mas Roland não sossegou, competindo em diversas categorias, como Fórmula Ford, Fórmula 3 e Fórmula 3000, inclusive no Japão, até alcançar o maior objetivo de sua vida: competir na Fórmula-1. Em 1999, em uma entrevista publicada na revista inglesa F1 Racing, Rudolf fez uma simples constatação ao ser questionado sobre a escolha profissional do filho: "Se Roland tivesse optado por se tornar um jogador de tênis, talvez ele não fosse feliz". Sábias palavras.


A realização de um sonho

Na Fórmula-1, como se sabe, a passagem de Ratzenberger durou pouco - apenas uma corrida, em Aida, no Japão, onde terminou em 11º lugar. Antes disso, Roland não se classificou para a prova em Interlagos. Em Ímola, seria sua terceira tentativa de garantir um lugar no grid.

Para ele, o velho circuito italiano era um lugar especial, pois foi justamente ali que realizou seu primeiro teste com um carro de Fórmula-1, o que lhe garantiu um lugar na pequena Simtek, onde disputaria apenas cinco etapas no campeonato, pagas com dinheiro do próprio bolso, acumulado durante os anos em que correu na Fórmula-3000 Japonesa.

O dia fatal

Lembro até hoje de tudo o que aconteceu naquele 30 de abril. Como passei boa parte do dia fora de casa, só fiquei sabendo do acidente à noite, ao ouvir na secretária eletrônica o recado de um amigo. Imediatamente, pus para rodar a fita que tinha deixado preparada para gravar tudo durante a manhã. Depois do susto do dia anterior, com o terrível acidente de Rubens Barrichello, o inesperado aconteceu e veio o acidente na Curva Villeneuve. Repentino e fatal.

Nos treinos para o GP de San Marino, Ratzenberger escapou da pista e, ao invés de retonar aos boxes, decidiu continuar na pista para tentar mais uma volta rápida. Com a força da pressão aerodinâmica, somada à alta velocidade, sua asa dianteira soltou-se do carro, deixando-o completamente fora de controle, indo direto ao muro, a mais de 300 km/h.

Até então, desde que comecei a acompanhar as corridas, em algum momento de 1978, só havia tido uma noção exata do quanto esse esporte era perigoso ao ouvir as notícias da morte de Elio de Angelis. Quatro anos antes, em 1982, a pouca idade se encarregou de que eu não desse a menor atenção para a gravidade dos acidentes que tiraram as vidas de Gilles Villeneuve e Riccardo Paletti, em um intervalo de apenas 36 dias.


As imagens da cabeça inerte de Ratzenberger e o capacete sujo de sangue não deixavam margem para nenhuma dúvida: algo muito grave tinha acontecido. E pela segunda vez eu voltava a ter uma incômoda sensação, ao ver a Fórmula-1 cobrando seu preço mais uma vez. Ratzenberger morreu na hora, em decorrência de fratura no pescoço.

Acompanhando a ridícula encenação de socorro ao piloto austríaco, lembro de ter comentado com minha mãe que, apesar de tudo, a corrida seria disputada e, por essa razão, outro piloto iria morrer (obviamente, sem ter a menor idéia de quem seria o escolhido da vez). O resto, como se sabe, é história.



Leia também:

- Homenagem a Roland Ratzenberger (GP Total)

* Créditos das Fotos: Sutton Images e Getty Images