sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Nelson Piquet - 60 anos

E é claro que eu não poderia deixar de prestar uma singela homenagem ao mais novo sessentão da Fórmula 1: Nelson Piquet Souto Maior. Querido por muitos, odiado por outros, mas eternamente tricampeão. Parabéns, Nelson!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Riccardo Paletti: 30 anos de uma tragédia

Considerada uma das mais disputadas na história da Fórmula-1, a temporada de 1982 também ficou marcada pelo fim da carreira de pilotos veteranos - Gilles Villeneuve e Didier Pironi - e de um jovem estreante: Riccardo Paletti. Na semana passada, dia 13, fãs de automobilismo do mundo inteiro lembraram os 30 anos de sua morte prematura.

Como quase todo iniciante daquela época, este italiano de Milão começou a carreira no automobilismo aos 19 anos, na Fórmula-Ford, depois de passar dois anos alimentando o sonho de tornar-se piloto - pensando desde o início em chegar à Fórmula 1. Em 1979 e 1980, disputou algumas provas na Fórmula-3 Italiana, mas sem grande sucesso. Ainda em 1980, transferiu-se para a Fórmula-2, na equipe Mike Earle Racing, tendo o venezuelano Johnny Ceccoto como companheiro de equipe e obtendo como melhor resultado um oitavo lugar em Misano.

Nas três primeiras provas da temporada seguinte, Paletti conquistou os melhores resultados de sua carreira: foi o segundo colocado no International Trophy, disputado em Silverstone, na Inglaterra; marcou a melhor volta em Hockenheim, na Alemanha; e foi novamente o segundo em Thruxton, também na Inglaterra. Terminou o campeonato na oitava colocação.

Em 1982, Paletti realiza seu grande sonho e chega à Fórmula-1, garantindo com recursos próprios e o patrocínio da Pioneer um lugar na fraca equipe Osella, tendo como companheiro de equipe o francês Jean-Pierre Jarier. Não se classificou nas três primeiras provas do campeonato (África do Sul, Brasil e EUA-Long Beach), estreando somente no GP de San Marino, em Ímola, largando na 13ª posição, mas abandonando a prova na sétima volta, com um defeito na suspensão.

Riccardo Paletti e Jean-Pierre Jarier em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (1982)

Na Bélgica e em Mônaco, mais uma vez, não conseguiu se classificar. Teve mais sorte em Detroit (EUA), marcando o 23º melhor tempo. Mas graças a um acidente durante o warm-up, não disputou a prova. Nesta maré de azar, o GP do Canadá seria mais uma tentativa. Naquele fim de semana em Montreal, a Fórmula-1 ainda chorava a perda de Villeneuve, morto um mês antes, nos treinos para o GP da Bélgica, em Zolder. De forma inesperada, a morte cobraria seu preço mais uma vez.

Riccardo Paletti e Enzo Osella em Ímola, San Marino (1982)

Na largada, Didier Pironi, que era o pole position, ficou parado no grid, com problemas na embreagem. Os carros em alta velocidade desviam rapidamente da Ferrari do piloto francês. Raul Boesel dá um toque de raspão em seu carro, enquanto Paletti teve menos sorte e acertou em cheio a traseira de Pironi. Preocupado em ganhar posições, o italiano esboçou uma leve tentativa de frear, mas já era tarde. O impacto foi tão violento que fez com que ambos os carros se deslocassem pela reta.


Pironi sai rapidamente do carro e sem nenhum ferimento, enquanto Paletti permanece imóvel, já desacordado. A equipe médica chega rapidamente ao local do acidente e percebe de imediato a gravidade do acidente: Paletti tem as pupilas dilatadas e a coluna de direção cravada em seu peito. No momento em que o dr. Sid Watkins inicia o atendimento ao piloto, na tentativa de entubá-lo, o tanque de gasolina explode. Imediatamente, Pironi e o piloto do safety car, Ralph Baldwin controlam o fogo em pouco tempo.

A equipe médica prossegue com os trabalhos, mas com Paletti ainda sentado no cockpit, os médicos tinham dificuldade de entubá-lo, causada pela luz do sol refletindo diretamente em sua garganta. O que ninguém esperava era que, no meio de toda a angústia, a mãe do piloto italiano, Gianna Paletti, invadisse a pista e visse tudo de perto, tornando a situação ainda mais desesperadora para todos que ali estavam. Ela tinha viajado ao Canadá por dois motivos muito especiais: comemorar o aniversário do filho e vê-lo correr.

As tentativas desesperadas de tirar Paletti de dentro do cockpit. Tudo em vão.

Ao ser retirado do carro, Paletti é imediatamente transferido para o helicóptero pousado ali mesmo na pista, de onde seguiu para o Hospital Royal Victoria. Às 17h31, o jovem piloto não resistiu aos múltiplos ferimentos internos no peito e no abdômen e foi declarado morto. Paletti completaria 24 anos dois dias depois. Em 1983, a prefeitura de Varano de Melegari, em Parma, na Itália, decidiu homenageá-lo dando ao circuito da cidade o nome de Autódromo Riccardo Paletti.

A Fórmula 1 só viveria outro momento como esse 12 anos depois, em Ímola.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Há 30 anos, morria Gilles Villeneuve

Gênio, louco, destemido, audacioso, inconsequente. São muitos os adjetivos usados para definir o canadense Gilles Villeneuve, que há exatos 30 anos deixou este mundo e entrou para a história da Fórmula 1 como um dos pilotos mais marcantes que já passaram pela categoria. Assista ao vídeo abaixo e relembre algumas cenas de Villeneuve fazendo aquilo que mais amava na vida. Depois, leia a homenagem que fiz a ele em 2010, por conta de seu 60º aniversário.

Gilles Villeneuve: 60 anos - Parte 1
Gilles Villeneuve: 60 anos - Parte 2
Gilles Villeneuve: 60 anos - Parte 3

domingo, 1 de janeiro de 2012

A estreia de Jackie Stewart na Fórmula 1

Para quem acompanha a Fórmula 1 nos dias de hoje, é difícil imaginar que uma corrida poderia ser disputada em pleno dia 1º de janeiro, horas depois das festas de Ano Novo.

Em princípio, a ideia parece loucura mesmo, mas foi justamente o que aconteceu em 1965, no circuito de Kyalami, na África do Sul, para onde se dirigiram pilotos e equipes para disputar a primeira etapa da temporada daquele ano.

Entre as equipes, algumas mudanças notáveis: a BRM continuou com Graham Hill, mas perdeu Richie Ginther para a Honda. Em seu lugar, um novo estreante na categoria: um jovem chamado Jackie Stewart (outro que também debutava na categoria era o australiano Paul Hawkins, da equipe John Willment Automobiles). Na Cooper, saiu Phil Hill, dando lugar ao austríaco Jochen Rindt para correr ao lado de Bruce McLaren. Na equipe de Rob Walker, Hap Sharp pulou fora, permanecendo no time a dupla Jo Bonnier e Jo Siffert.

A pole position ficou com Jim Clark, da Lotus, com quase um segundo de vantagem sobre John Surtees, da Ferrari, com quem dividiu a primeira fila do grid ao lado de Jack Brabham, que corria por sua própria equipe, a lendária Brabham.

O escocês Jim Clark a caminho da vitória no GP da África do Sul de 1965

Na corrida, Clark não deu chance a ninguém, dominando a prova do início ao fim, vencendo com quase meio minuto de vantagem sobre Surtees. Hill completou o pódio em terceiro, seguido por Mike Spence (Lotus), Bruce McLaren e Jackie Stewart, que estreou marcando seu primeiro ponto na categoria.

O GP da África do Sul de 1965 marcou também a despedida do sul-africano Tony Maggs (Reg Parnell Racing) e do britânico David Prophet (equipe particular).

Crédito das Fotos: Patrice Vatan (Jim Clark) e autor desconhecido (Jackie Stewart)

No Sportv: Senna, Prost e Vettel

O Sportv trouxe um presente muito especial para os fãs da Fórmula 1 no final do ano passado. Desde a semana passada, tanto o Sportv quanto o Sportv 2 vêm exibindo, em diversos horários, três documentários sobre três campeões da categoria: Ayrton Senna, Alain Prost e Sebastian Vettel. Os três programas fazem parte da série Esporte.Doc.

O documentário sobre Senna é o mesmo que fora exibido nos cinemas aqui no Brasil e em outros países a partir de 2010. Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, a hora é agora. Já o documentário sobre Prost, que acredito ser inédito no Brasil, traça um perfil de um dos maiores gênios que a Fórmula 1 já teve, desde os tempos do kart até os dias de hoje, aos quais vem se dedicando à sua mais nova paixão: o ciclismo. O documentário sobre Vettel já está gravado aqui em casa, mas ainda não tive tempo de assistir.

Para um canal que dá tão pouco espaço para o automobilismo em sua grade de programação, para mim foi uma boa surpresa ver três documentários sendo exibidos assim, de uma só vez. Sinceramente, espero que continue assim este ano e que venham mais documentários e programas desse tipo, indo além da transmissão de treinos e corridas. Os fãs agradecem.


Confira os dias e horários das próximas reprises:

Ayrton Senna
- Domingo, 01/01: 16h30 (SporTV)
- Domingo, 01/01: 23h (Sportv 2)
- Terça-feira, 03/01: 8h (Sportv 2)

Alain Prost
- Domingo, 01/01: 20h (Sportv)

Sebastian Vettel
- Segunda-feira, 02/01: 2h (Sportv 2)
- Terça-feira, 03/01: 11h (Sportv)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Peter Kenneth Gethin (1940 - 2011)

O mundo da Fórmula 1 fica um pouco mais triste sempre que perde um de seus ídolos. Foi o que aconteceu hoje, ao ser anunciada a morte do ex-piloto inglês Peter Gethin, aos 71 anos, após longa batalha contra um câncer.

Na Fórmula 1 - onde estreou em 1970, correndo pela McLaren -, não teve resultados tão expressivos quanto os de muitos de seus contemporâneos. Porém, no GP da Itália de 1971, quis o destino que seu nome ficasse gravado para sempre como o autor de um dos grandes feitos da história da categoria.

Foi em Monza (tinha que ser justamente lá) que Gethin obteve sua única vitória na Fórmula 1, a bordo da BRM, com a incrível diferença de apenas um décimo de segundo à frente do sueco Ronnie Peterson. Atrás deles, François Cevert, Mike Hailwood, Howden Ganley e Chris Amon, nessa ordem. Todos separados por pouco mais de seis décimos de diferença.

Eis aí um momento que eu gostaria muito de ter presenciado. Sorte de quem esteve em Monza naquela tarde de 5 de setembro e testemunhou um momento sublime, que dificilmente será visto novamente na Fórmula 1 que conhecemos hoje.

Muito já se escreveu sobre Gethin nesta segunda-feira, o que pode ser conferido com uma simples pesquisa no Google. Por isso, me limito a uma homenagem simples, deixando uma amostra do que aconteceu naquele dia tão especial, e que vale mais do que qualquer palavra escrita neste blog.

Adeus, Peter.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

George Harrison: um beatle na Fórmula 1

Para a maioria das pessoas, George Harrison - cuja morte completa hoje exatos dez anos - era conhecido como um excelente guitarrista, ex-membro da banda mais revolucionária de todos os tempos e autor de sucessos inesquecíveis, como Here Comes The Sun, Something, My Sweet Lord, All Things Must Pass, All Those Years Ago e Got My Mind Set On You. Mas para muitos fãs de automobilismo, ele era muito mais do que isso.

George, sua primeira mulher, Patty Boyd, e o tricampeão Jim Clark, em 1966

Para quem não sabe, mas Harrison era um verdadeiro fanático por automobilismo. E essa paixão vem desde a época da adolescência, quando seu pai o levava ao circuito de Aintree, na Inglaterra, para assistir às corridas disputadas ali, inclusive de motos. Foi nessa fase que tornou-se fã do piloto inglês Geoff Duke, hexacampeão de motociclismo nas categorias de 350 e 500 cilindradas.

E veio a Fórmula 1

Das motos para os carros, a paixão foi imediata. Foi em 1955, também em Aintree que Harrison, então com 12 anos, assistiu seu primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1, naquele ano vencido por Stirling Moss. Sempre que era perguntado sobre o que tinha achado da experiência, a resposta era direta: "Simplesmente gostei."

George Harrison, Jackie Stewart e Ringo Starr nas ruas de Monte Carlo, em 1977



Durante sua adolescência e início da juventude, a relação de George Harrison com a Fórmula 1 era semelhante a de qualquer jovem com seu esporte predileto. Passava parte do tempo recortando fotos e guardando tudo em um álbum, preservado com todo o cuidado na casa de seus pais. "Na minha coleção, tinha fotos dos carros de várias equipes, como BRM, Vanwall e Connaught", disse certa vez, em entrevista publicada na revista inglesa F1 Racing.

Nos anos da beatlemania

E logo depois vieram os Beatles, a fama e a correria típica do showbis. Nem assim, George deixou sua paixão de lado. Mesmo com toda a fama e fortuna, sempre que podia, ele dava um jeito de comparecer aos autódromos, munido de uma câmera, registrando tudo o que pudesse à sua frente. E como quase todo fã, enviava cartas às equipes pedindo material para completar e aumentar sua preciosa coleção.

Não foi à toa que, recentemente, ao visitar o paddock do circuito de Yas Marina, durante os treinos de classificação para o GP de Abu Dhabi, Paul McCartney comentou sobre o ambiente da Fórmula 1 e a paixão do amigo pelo esporte a motor: "Foi muito emocionante. Estive uma vez no GP de Mônaco, mas agora vejo o porquê de o George ter sido tão apaixonado por isso aqui. A adrenalina é incrível. Me sinto emocionado hoje, pois é como se ele estivesse aqui comigo."

Paul, Ringo, George e John curtindo uma disputa de autorama em 1963



Nos anos 70, já como ex-beatle, Harrison se tornaria figurinha fácil nos autódromos, tornando-se ainda mais próximo de chefes de equipe e pilotos. Com o passar do tempo, isso acabou lhe rendendo verdadeiras amizades, a ponto de ter tido a oportunidade de dar algumas voltas em um Surtees TS19 em Brands Hatch, com capacete e macacão emprestados por John Surtees, dono da equipe e campeão mundial em 1964, e pelo bicampeão de motociclismo Barry Sheene.

O primeiro ex-beatle no Brasil

Anos depois, essas mesmas amizades resultaram no lançamento do single Faster, gravado em 1978 em homenagem a todo o circo da Fórmula 1 e também em memória do sueco Ronnie Peterson, morto pouco antes, após um acidente no GP da Itália daquele ano.


E entre todos os amigos que fez na Fórmula 1, um dos mais próximos certamente foi Emerson Fittipaldi. "Em 1973, fui acompanhar o GP da Inglaterra em Brands Hatch e fomos apresentados pelo David Niven. Foi incrível. Eu achava e acho o Emerson fantástico até hoje", disse uma vez ao falar de sua amizade com o ex-piloto brasileiro.

Foi justamente por conta dessa amizade que Harrison acabou tornando-se o primeiro ex-beatle a visitar o Brasil. Foi em 1979, quando veio a São Paulo não para cantar, mas sim para acompanhar o GP do Brasil daquele ano e também dar uma força ao velho amigo, na época passando maus bocados com a Copersucar. Depois, ainda curtiu alguns dias de sol e praia na casa que Emerson mantinha no Guarujá, no litoral paulista. Sobre o circuito de Interlagos, ele comentou na época: É um circuito fantástico, um dos poucos do mundo em que você vê 90 por cento da pista."


Nos anos seguintes, George continuaria cultivando sua paixão como sempre. Mas sua relação com o automobilismo não se resumiu apenas em acompanhar as corridas, mas a cultivar hábitos típicos de quem tem muito dinheiro para gastar. Ele foi um dos primeiros a ter em sua garagem um exemplar do McLaren F1, o famoso McLaren de rua. E há quem diga que a carreira de Damon Hill no automobilismo só foi em frente graças à ajuda do ex-beatle.

O adeus

O GP do Canadá de 2001 foi sua última aparição no circo da Fórmula 1. Sofrendo há vários anos de câncer, George Harrison morreria meses depois, no dia 29 de novembro daquele ano, aos 58 anos. No dia seguinte, Emerson comentou sobre a perda do amigo: "Hoje é um dia bastante triste para mim, mas tenho certeza que George morreu acreditando na vida eterna e que um dia nós estaremos novamente juntos."



 O bate-papo entre dois ídolos: George Harrison e Ayrton Senna, em 1986


Com o jornalista Reginaldo Leme, no Autódromo de Interlagos, em 1979

domingo, 27 de novembro de 2011

Nelson Piquet: ame ou odeie

Quem esteve hoje em Interlagos teve a oportunidade de presenciar um momento mágico, com Nelson Piquet voltando a pilotar a lendária Brabham BT49, com a qual conquistou seu primeiro título mundial, em 1981. Brincalhão como sempre, não perdeu a oportunidade de exibir em terras paulistanas a bandeira de seu time, o Vasco.


Nelson Piquet em Interlagos, a bordo da lendária Brabham BT49

E o que parte da torcida faz? Ao invés de levar na esportiva, curtir o momento e a chance de ver na pista uma das mais perfeitas combinações entre homem e máquina, prefere colocar pra fora seu lado mais babaca, vaiando o tricampeão.

É estranho ao mesmo tempo decepcionante ver um comportamento como esse, uma vez que o momento ali era outro: o de se emocionar com a chance de poder rever um dos carros mais fantásticos que já passaram pela Fórmula 1, pilotado mais uma vez por aquele com o qual conquistou seu primeiro título de campeão mundial.

Há quem diga que Piquet provocou ao levantar a bandeira do Vasco diante de corintianos, palmeirenses, santistas e são paulinos, o que é bem verdade, mas só se incomoda mesmo com isso quem nunca conheceu o verdadeiro Nelson Piquet e seu jeito de ser.