quarta-feira, 8 de abril de 2015

Na estante: Fala, Galvão!

 © 2015 - Divulgação / Globo Livros
Há 41 anos, desde que começou sua carreira como comentarista esportivo na Rádio Gazeta, em São Paulo, Galvão Bueno - que dispensa apresentações - fez de tudo um pouco, até se transformar em um dos principais narradores esportivos do País. Nesse período, também teve a sorte e o privilégio de testemunhar alguns dos grandes acontecimentos esportivos no Brasil e no mundo.

Com quatro décadas à frente de um microfone, viajando pelo mundo e fazendo amigos por onde passa, certamente não lhe faltam histórias para contar. Boas histórias. E é isso o que ele faz em seu livro de memórias, Fala, Galvão!, lançado ontem à noite em São Paulo e escrito em parceria com o jornalista Ingo Ostrovsky.

No livro, Galvão conta um pouco de sua trajetória - primeiro no rádio, depois na TV -, onde começou como comentarista esportivo e, anos depois, já na TV Bandeirantes, foi promovido na marra a narrador, atividade que exerce até hoje e que divide opiniões entre o público. Mas o melhor mesmo são as histórias, muitas delas engraçadíssimas, envolvendo boa parte dos atletas com quem conviveu, seus colegas de trabalho do presente e do passado, sua numerosa família e seus famosos bordões.

Obviamente, meu foco era o capítulo que ele separou para a Fórmula 1, onde encontram-se várias passagens curiosas, fruto de sua convivência com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa e, claro, seu parceiro de longa data, o jornalista e comentarista Reginaldo Leme. Muitas dessas histórias são conhecidas pelo público, mas quando contadas por quem as vivenciou, de fato, certamente ganham um outro sabor.

 © 2015 - Arquivo Pessoal / Alexandre Carvalho
Galvão recorda em detalhes, por exemplo, o momento em que conheceu Ayrton Senna, na Bélgica, em 1982 - no mesmo fim de semana em que morreu Gilles Villeneuve -, e relembra algumas das brincadeiras e molecagens que dividiu com ele, tendo entre suas vítimas Gerhard Berger e Reginaldo Leme.

Ele faz questão de ressaltar também o respeito e a admiração que tem por Nelson Piquet, deixando claro que, apesar de algumas farpas trocadas no passado, a relação jamais beirou a inimizade ou o desrespeito mútuo. Ele cita, inclusive, o dia em que recebeu um telefonema do tricampeão, em 2011. Era um agradecimento pelas palavras ditas na transmissão do GP do Brasil daquele ano, enquanto Piquet dava umas voltas em Interlagos a bordo do Brabham BT-49C, comemorando os 30 anos do seu primeiro título.

Não faltaram palavras sinceras sobre Rubens Barrichello em relação ao fato de ele nunca ter sido campeão na Fórmula 1, a forma desrespeitosa com que sempre fora tratado no Brasil, pelo público e pela imprensa, e sua bem-sucedida transferência para a Stock Car, em 2013. Rubens, inclusive, esteve presente na coletiva de ontem, pondo um fim às especulações de que sua saída como comentarista da Globo, no final do ano passado, se deu por causa de um desentendimento entre ele e Galvão.

Ao citar Felipe Massa, de quem tornou-se amigo há muitos anos, Galvão faz um relato minucioso da carreira do piloto brasileiro, desde os tempos do kart até a chegada à Fórmula 1, e acredita que, após o acidente na Hungria, em 2009, ele nunca mais foi o mesmo. Não na Ferrari.

 © 2015 - Raquel Cunha / Folhapress
Quem conhece Galvão apenas de forma superficial, pelas transmissões da TV, certamente irá se surpreender. Sem meias palavras, ele mesmo se vê, de forma bem-humorada, como um falastrão, que não apenas narra, mas também opina, se mete nos comentários, concordando ou discordando, tendo ciência de que, muitas vezes, passa do ponto. Um verdadeiro mea culpa, se é que pode se dizer assim.

Perguntado sobre como ele espera que o público passe a vê-lo depois de conhecer as histórias contadas no livro, ele me respondeu: "Tenho certeza de que muita gente vai gostar. E também tenho certeza de que muita gente vai falar mal. É normal. Bater no Galvão é divertido. Mas acho que, graças a Deus, o número daqueles que gostam de mim é imensamente maior do que o daqueles que não gostam. E eu acho que essa é minha grande vitória profissional."

Goste você ou não, é impossível negar que a presença do carioca Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno na TV brasileira está diretamente ligada a muitas das grandes conquistas que o Brasil teve no esporte nos últimos anos. Como ele mesmo se definiu ontem, Galvão é um vendedor de emoções, mas também uma figura controversa, a quem o público aprendeu, com o tempo, a amar ou odiar.

12 comentários :

  1. Mário Salustiano8 de abril de 2015 19:43

    Pela narrativa aqui do blog já fiquei super curioso para ler, as vezes avaliamos algumas pessoas com uma ótica excessivamente critica principalmente ser for uma figura pública, gostei do contexto que abordou Alexandre

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  2. Excelente sua abordagem, Alexandre! Eu gosto do Galvão e a crítica que eu tenho ele mesmo ratificou: às vezes passa do ponto... Mas inegavelmente é um vendedor de emoções. Vou logo garantir o meu exemplar. Parabéns pelo post :-)

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  3. Muito bom Alexandre...já vou incluir na lista de compras...a fila estava enorme ontem quando passamos por lá...semana que vem eu garanto o meu!!

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  4. Em tempos onde a F1 não parece nada atraente e amistosa, iniciativas como essa devem ser adotadas por mais equipes, recriar o link entre os fãs e as escuderias e pilotos, além de informar um pouco sobre como os carros saem de projetos para a realidade...muito interessante.

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  5. Interessante o fato de Galvão não se imunizar às críticas. Aliás, bem ao contrário, ele as corrobora, e você ressaltar esse ponto me fez ter curiosidade para ler o livro. Abração! ;)

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  6. Claro que irei comprar esse livro.

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  7. Depois que terminar a leitura, conte aqui o que você achou. :-)

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  8. Esse é um dos pontos positivos do livro. Ele sabe que comete erros, que exagera, cria polêmica, que tem gente que não gosta dele ou do trabalho dele. Até mesmo na coletiva de imprensa ele ressaltou isso. Que muita gente gosta dele, mas também o odeia.

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  9. Depois me diga o que achou do livro. :-)

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  10. Acho que muita gente vai se surpreender, Lucia. Eu mesmo fiquei surpreso com a abordagem trazida nesse livro, de tal forma que já estou lendo até a parte sobre o futebol, assunto do qual não entendo nada.

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  11. Vi que você já comprou seu exemplar. Depois me diga o que achou. Eu estou quase terminando a leitura e curtindo bastante. Gosto dessas curiosidades de bastidores (exceto quando são assinadas pelo Lemyr Martins, hahaha).

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  12. KKKK. Eu gosto de futebol também, Alexandre!

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