
Mas Senna começou a brilhar nas ruas de Mônaco muito antes de sua primeira vitória neste circuito, em 1987. Foi há 25 anos, completados ontem, quando estava em seu primeiro ano na Fórmula-1, a bordo de uma Toleman. Até então, Senna vinha fazendo uma temporada regular, dentro das possibilidades que seu equipamento permitia, apesar do bom desempenho do motor Hart.
O GP de Mônaco era a sexta etapa do campeonato e o piloto brasileiro somava até ali apenas dois pontos, resultantes de um sexto lugar na África do Sul - cujo esforço rendeu-lhe um esgotamento físico logo depois da prova - e outro na Bélgica, o que era excelente para um estreante.
Já Nélson Piquet, sofrendo com a fragilidade do motor BMW de sua Brabham, não tinha a mesma sorte e levava para Monte Carlo a esperança de acabar com a série de cinco abandonos consecutivos naquele ano.
Confusão na largada
Mesmo com a forte chuva que caía sem parar naquele dia em Mônaco, ocasiando um atraso de 45 minutos para o início da prova, a largada foi autorizada. Na primeira volta, mantendo a tradição, um acidente na curva Saint Devote tirou de cena os dois pilotos da Renault, Patrick Tambay e Derek Warwick, com prejuízo ainda maior para Tambay, que encerrou o fim de semana com uma fratura na perna.
Ao final da primeira volta, Senna, que largara em 13º, já ocupava a nona posição, logo atrás de Jacques Laffite, da Williams. Para Senna, era nítido que, apesar da desvantagem de seu motor Hart em relação aos motores turbo das outras equipes, a baixa velocidade dos carros representaria uma enorme vantagem na pista molhada. E foi exatamente o que aconteceu. Enquanto Nigel Mansell lutava para tirar a liderança de Alain Prost, Senna ia ganhando posições a cada duas ou três voltas.
Com o abandono de Mansell na 15ª volta, Senna imediatamente pulou para a terceira posição, o que lhe garantiria seu primeiro pódio na Fórmula-1. Mas isso não bastava para o piloto brasileiro, que demonstrava um ritmo impressionanente debaixo de chuva, a bordo de seu Toleman TG184. A essa altura, Piquet já havia abandonado a prova com um problema elétrico em sua Brabham BT53. Na sexta posição, vinha o alemão Stefan Bellof, da Tyrrell, uma das duas únicas equipes a correr com motor aspirado naquele ano (a outra era a Arrows).
Festival de ultrapassagens
Bellof largara em último, na 20ª posição (nessa época, apenas 20 carros largavam em Mônaco). Assim como Senna, foi pouco a pouco conquistando posições no decorrer da prova, aproveitando-se dos abandonos de Michele Alboreto e Mansell, que vinham mais à frente, mas também realizando belas ultrapassagens, como a que fizera sobre René Arnoux na 26ª volta, na entrada da curva Mirabeau.

Senna precisou de apenas três voltas para tomar a segunda posição do austríaco Niki Lauda, companheiro de Prost na McLaren, passando a perseguir o francês tirando uma média de três segundos de diferença a cada volta, que àquela altura lutava contra problemas de freios em seu carro. Bellof, tão inspirado quanto Senna, já tinha deixado Arnoux e Lauda para trás e vinha em terceiro. Com a chuva aumentando cada vez mais, o diretor da prova, o ex-piloto Jacky Ickx, não pensou duas vezes e optou pelo seu cancelamento, depois de 31 voltas, no exato momento em que Senna ultrapassaria Prost.
Senna cruzou a linha chegada com o braço levantado, em aparente sinal de vitória. Enquanto isso, na cabine da Globo, Galvão Bueno e Reginaldo Leme gritavam a todo instante, em êxtase, atribuindo a Senna uma vitória que nunca lhe pertenceu, pois pelo regulamento, em caso de bandeira vermelha, seriam válidas as posições dos carros na volta anterior. E Senna sabia disso, embora não concordasse com a decisão de Ickk. Mesmo assim, decidiu comemorar ainda dentro do carro, pois tinha uma noção clara do que havia acabado de fazer na pista, em benefício próprio e também de sua equipe.
Naquele dia, 3 de junho de 1984, nascia ali um novo gênio das pistas. Um novo mito.
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Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



2 comentário(s):
Pô! Show de bola você também ter citado o que fez o Bellof!
Faltou a clássica citação de que, se o Ickx tivesse deixado a prova ser percorrida um pouco mais e a mesma valesse 100% dos pontos, mesmo com o Prost sendo ultrapassado pelo Ayrton, o francês teria sido campeão!
Rapaiz você manja muito de F1 em varias fotos legais varias histórias poe ai uns video legal da história . tenho 23 anos nao pude ver essas coisas na F1.
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