Considerada uma das mais disputadas na história da Fórmula-1, a temporada de 1982 também ficou marcada pelo fim da carreira de pilotos veteranos - Gilles Villeneuve e Didier Pironi - e de um jovem estreante: Riccardo Paletti. Na semana passada, dia 13, fãs de automobilismo do mundo inteiro lembraram os 30 anos de sua morte prematura.
Como quase todo iniciante daquela época, este italiano de Milão começou a carreira no automobilismo aos 19 anos, na Fórmula-Ford, depois de passar dois anos alimentando o sonho de tornar-se piloto - pensando desde o início em chegar à Fórmula 1. Em 1979 e 1980, disputou algumas provas na Fórmula-3 Italiana, mas sem grande sucesso. Ainda em 1980, transferiu-se para a Fórmula-2, na equipe Mike Earle Racing, tendo o venezuelano Johnny Ceccoto como companheiro de equipe e obtendo como melhor resultado um oitavo lugar em Misano.
Nas três primeiras provas da temporada seguinte, Paletti conquistou os melhores resultados de sua carreira: foi o segundo colocado no International Trophy, disputado em Silverstone, na Inglaterra; marcou a melhor volta em Hockenheim, na Alemanha; e foi novamente o segundo em Thruxton, também na Inglaterra. Terminou o campeonato na oitava colocação.
Em 1982, Paletti realiza seu grande sonho e chega à Fórmula-1, garantindo com recursos próprios e o patrocínio da Pioneer um lugar na fraca equipe Osella, tendo como companheiro de equipe o francês Jean-Pierre Jarier. Não se classificou nas três primeiras provas do campeonato (África do Sul, Brasil e EUA-Long Beach), estreando somente no GP de San Marino, em Ímola, largando na 13ª posição, mas abandonando a prova na sétima volta, com um defeito na suspensão.
Riccardo Paletti e Jean-Pierre Jarier em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (1982)
Na Bélgica e em Mônaco, mais uma vez, não conseguiu se classificar. Teve mais sorte em Detroit (EUA), marcando o 23º melhor tempo. Mas graças a um acidente durante o warm-up, não disputou a prova. Nesta maré de azar, o GP do Canadá seria mais uma tentativa. Naquele fim de semana em Montreal, a Fórmula-1 ainda chorava a perda de Villeneuve, morto um mês antes, nos treinos para o GP da Bélgica, em Zolder. De forma inesperada, a morte cobraria seu preço mais uma vez.
Riccardo Paletti e Enzo Osella em Ímola, San Marino (1982)
Na largada, Didier Pironi, que era o pole position, ficou parado no grid, com problemas na embreagem. Os carros em alta velocidade desviam rapidamente da Ferrari do piloto francês. Raul Boesel dá um toque de raspão em seu carro, enquanto Paletti teve menos sorte e acertou em cheio a traseira de Pironi. Preocupado em ganhar posições, o italiano esboçou uma leve tentativa de frear, mas já era tarde. O impacto foi tão violento que fez com que ambos os carros se deslocassem pela reta.
Pironi sai rapidamente do carro e sem nenhum ferimento, enquanto Paletti permanece imóvel, já desacordado. A equipe médica chega rapidamente ao local do acidente e percebe de imediato a gravidade do acidente: Paletti tem as pupilas dilatadas e a coluna de direção cravada em seu peito. No momento em que o dr. Sid Watkins inicia o atendimento ao piloto, na tentativa de entubá-lo, o tanque de gasolina explode. Imediatamente, Pironi e o piloto do safety car, Ralph Baldwin controlam o fogo em pouco tempo.
A equipe médica prossegue com os trabalhos, mas com Paletti ainda sentado no cockpit, os médicos tinham dificuldade de entubá-lo, causada pela luz do sol refletindo diretamente em sua garganta. O que ninguém esperava era que, no meio de toda a angústia, a mãe do piloto italiano, Gianna Paletti, invadisse a pista e visse tudo de perto, tornando a situação ainda mais desesperadora para todos que ali estavam. Ela tinha viajado ao Canadá por dois motivos muito especiais: comemorar o aniversário do filho e vê-lo correr.
As tentativas desesperadas de tirar Paletti de dentro do cockpit. Tudo em vão.
Ao ser retirado do carro, Paletti é imediatamente transferido para o helicóptero pousado ali mesmo na pista, de onde seguiu para o Hospital Royal Victoria. Às 17h31, o jovem piloto não resistiu aos múltiplos ferimentos internos no peito e no abdômen e foi declarado morto. Paletti completaria 24 anos dois dias depois. Em 1983, a prefeitura de Varano de Melegari, em Parma, na Itália, decidiu homenageá-lo dando ao circuito da cidade o nome de Autódromo Riccardo Paletti.
A Fórmula 1 só viveria outro momento como esse 12 anos depois, em Ímola.



Jornalista, 40 anos, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



3 comentários:
Lembro da transmissão como se fosse hj. A mãe dele ter entrado da pista êh mto doloroso e algo q nao sabia.
Oi, Raul. Eu tenho essa corrida em DVD, mas não assisti ao vivo. Até onde eu sei, a Globo não transmitiu na íntegra, né? Chegaram a mostrar a mãe dele invadindo a pista também?
Só um comentário a ser feito: na época do acidente, eu tinha dez anos e vi na Globo, como se fosse ontem, e me recordo que os bombeiros do autódromo demoraram uma eternidade para chegar até o carro e que Pironi - o responsável indireto pela morte do grande Villeneuve -estava bem perto do carro do Paleti mas com um extintor bem pequeno, e as chamas não foram apagadas com tanta facilidade assim como foi dito, eu cheguei até a pensar que o cara tinha morrido queimado. Achei discrepante essa informação colocada aí
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