Alguns nomes do automobilismo acabam guardados para sempre na memória dos fãs, independentemente da fama alcançada enquanto ainda estão em atividade. Foi o que aconteceu com Luizinho Pereira Bueno, carinhosamente chamado de "Peroba" pelos amigos que conquistou ao longo de seus 74 anos de vida, recém-completados no último dia 16 de janeiro.Como vários outros pilotos de sua época, Luizinho também foi tentar a sorte na Inglaterra, ao lado de Ricardo Achcar, correndo na Fórmula Ford. Apesar dos bons resultados, não houve apoio, e Luizinho logo estava de volta ao Brasil. A partir daí, passou por diversas categorias nacionais, como a própria F-Ford, as Divisões 3 e 4 e até mesmo da Stock Car, nos anos 80, além de participar de provas de longa duração, como os 500 Km de Interlagos. Em todas, colecionou muitos momentos de glória.

Na Fórmula 1, Luizinho participou de duas edições do GP do Brasil, sendo a primeira, em 1972, uma prova não oficial, isto é, sem contar pontos para o campeonato. Na ocasião, ele largou em décimo, a bordo de um March 711 alugado, terminando a prova na sexta posição. No ano seguinte, com o Brasil oficialmente integrado ao calendário da categoria, Luizinho novamente marcou presença em Interlagos, desta vez com um Surtees TS9B (novamente alugado), largando na 20ª posição - a última do grid - e terminando em 12º - também em último -, a quatro voltas do vencedor, Emerson Fittipaldi.

Luizinho a bordo do Surtees TS9B na disputa do GP do Brasil de 1973
Hoje de manhã, Luizinho se foi, em sua casa, em Atibaia (SP), após perder a luta contra um câncer de pulmão diagnosticado no início do ano passado, deixando inconsolável uma legião de fãs que teve a sorte de apreciar, ao longo de mais de duas décadas, o talento de um dos maiores pilotos que o Brasil já teve. Infelizmente, não tive a mesma sorte, e o pouco que conheço da carreira de Luizinho vem do registro em livros, revistas especializadas e, mais recentemente, arquivos de vídeo, que dão uma boa ideia do quanto este gênio representou para a história do nosso esporte a motor.
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



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