sábado, 13 de março de 2010

As estreantes: Lotus, Virgin e Hispania

Desde que foi anunciada a volta do nome Lotus à Fórmula 1, não se fala em outra coisa que não seja a lembrança da lendária equipe de Colin Chapman. Para muitos fãs, o grupo malaio que hoje comanda a equipe é visto como oportunista, que busca na principal categoria do automobilismo apenas uma forma de aparecer às custas de um nome tradicional.


Do passado de glórias, nada será visto em 2010, como pôde ser comprovado nos treinos de hoje, no Bahrein. Não dá nem para comparar, melhor dizendo. Apesar do nome famoso, a equipe é nova está começando do zero. Mesmo contando com dois pilotos experientes, Jarno Trulli e Heikki Kövalainen, ainda terá muito o que aprender para poder andar no meio do pelotão.

Números:

GPs Disputados: 491
Estreia na F1: GP de Mônaco, em 1958
Primeira vitória: GP de Mônaco, em 1960 (Stirling Moss)
Vitórias: 79
Poles: 107
Melhores Voltas: 71
Títulos de Pilotos: 6
Títulos de Construtores: 7

Site Oficial: www.lotusracing.my



Rebatizada pela TV Globo como VRT, por enquanto a Virgin chama mais a atenção pelo perfil de seu dono, o playboy e empresário Richard Branson, do que pelo desempenho nos testes pré-temporada e no treino de classificação no Bahrein. A começar pela apresentação da equipe, no final do ano passado, com seus pilotos e dirigentes posando para fotos com uma atitude fora dos padrões habituais da Fórmula 1.

O desenvolvimento do carro da equipe, o VR01, não foi nem um pouco convencional. Isto porque ele foi criado inteiramente no computador, simulando o fluxo do ar sem o tradicional túnel de vento, usado em grande escala pelas outras equipes. Pelo que se viu nos testes da pré-temporada e nos treinos do Bahrein, a iniciativa não surtiu grande efeito. Resta saber se a experiência de Timo Glock e a disposição do estreante Lucas di Grassi farão alguma diferença na equipe que, até agora, é puro marketing.

Números:

GPs Disputados: 0
Estreia na F1: GP do Bahrein, em 2010

Site Oficial: www.virginracing.com



Aos 45 minutos do segundo tempo, a Hispania Racing finalmente garantiu sua presença na abertura do campeonato. Tal feito deveria ser comemorado não fosse a crise financeira que a equipe vem enfrentando desde o ano passado, e que comprometeram seriamente o cronograma de testes do carro, o HRT F110, que só foi à pista pela primeira vez nos treinos livres e de classificação no Bahrein.

Pior para Bruno Senna e Karun Chandok, que terão pela frente uma série de problemas que podem colocar em jogo não só a permanência da equipe no restante da temporada como também o sucesso de suas próprias carreiras. Para qualquer piloto, a Fórmula 1 é e sempre será uma excelente vitrine, mas devemos lembrar que é também implacável na hora de queimar para sempre jovens talentos. Que a sorte esteja com eles.

Números:

GPs Disputados: 0
Estreia na F1: GP do Bahrein, em 2010

Site Oficial: www.hispaniaf1team.com

BMW-Sauber: a volta do criador

Depois do pesadelo de vermos mais uma equipe caindo fora da Fórmula 1, a Sauber está volta à categoria, trazendo com ela não apenas o nome BMW, mas também seu velho criador, o suíço Peter Sauber, e o veterano piloto espanhol Pedro de La Rosa.


Quando tinha o apoio da montadora alemã, a equipe provou ser competitiva e capaz de andar rápido, marcar pontos, poles e vencer. Agora novamente como um time independente, a mesma missão continua. Será que vai dar?

A empreitada é bacana não apenas por remeter à simpática equipe suíça, mas também por salvar a carreira da mais nova sensação da Fórmula 1: o jovem Kamui Kobayashi.

Em 2009, substituindo o acidentado Timo Glock na Toyota, o japinha deu um show de pilotagem nas duas últimas etapas do campeonato, principalmente em Interlagos, caindo nas graças dos fãs. Seria uma pena perder um talento desses por falta de um cockpit disponível.

Nas duas últimas décadas, a Fórmula 1 não deu trégua para boas intenções e sempre cobrou seu preço. Com poucos recursos, será difícil para a equipe manter-se ao menos no pelotão intermediário. O motor Ferrari poderá ajudar um pouco, mas sem o dinheiro dos patrocinadores, como a foto acima revela, não há muito o que fazer.

Números:

GPs Disputados: 215
Estreia na F1: GP da África do Sul, em 1993
Primeira vitória: GP do Canadá, em 2008 (Robert Kubica)
Vitórias: 1
Poles: 1
Melhores Voltas: 2

Site Oficial: www.bwm-sauber-f1.com

Toro Rosso: independente e amadurecida

Depois de quatro anos sob as asas da Red Bull, finalmente a Toro Rosso, como um adolescente ansioso para sair da casa dos pais, ganhou autonomia e trouxe para este ano um carro construído totalmente em sua fábrica, o STR5, e baseado no modelo RB5, que levou a Red Bull ao vice-campeonato no ano passado.


Com isso, e alguns investimentos na fábrica e na contratação de pessoal, foram criadas as condições ideais para que o time possa conquistar melhores resultados daqui pra frente.

Assim como Red Bull e Force India, a Toro Rosso também manteve a dupla de pilotos de 2009, com Sebastién Buemi e Jaime Alguersuari. Mesmo assim, a equipe mantém a meta de terminar o campeonato entre os oito primeiros colocados no Mundial de Construtores, o que não será nada fácil.

Apesar do talento, seus pilotos ainda pecam pela falta de experiência, podendo comprometer a conquista de pontos preciosos na tabela de classificação. Como na Fórmula 1 apenas um bom carro e um bom motor não bastam para chegar lá, acredito que o time italiano passará por momentos críticos, agravados ainda mais pela pressão por resultados.

Números:

GPs Disputados: 70
Estreia na F1: GP do Bahrein, em 2006
Primeira vitória: GP da Itália, em 2008 (Sebastian Vettel)
Vitórias: 1
Poles: 1
Melhores Voltas: 1

Site Oficial: www.tororosso.com

Force India: chegando para incomodar

Com os bons momentos vividos em 2009, como a pole e o pódio conquistados por Giancarlo Fisichella na Bélgica, a Force India provou ter realizado um casamento perfeito com o motor Mercedes, responsável em grande parte pelos destaques da equipe na temporada passada. Se em 2009 o carro tinha vantagem apenas em circuitos de alta velocidade, como aconteceu em Monza, em 2010 a meta é outra.


O novo carro, batizado como VJM03, foi desenvolvido para se adaptar a qualquer tipo de pista, graças a algumas modificações em sua parte traseira. Este ano, a Force India ainda está longe das vitórias, e justamente por isso o objetivo principal nesta temporada é pontuar com regularidade, podendo incomodar os times de ponta. Com o que a equipe conquistou em apenas três anos, não me parece ser algo tão difícil.

De positivo, a dupla de pilotos, Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi, que tem em Sutil seu lado mais forte. O fator negativo está no aspecto financeiro do time. Seu dono, o indiano Vijay Malya, no ano passado enfrentou alguns problemas com fornecedores e por isso a equipe já está na alça de mira do governo inglês, o que é sempre um mau sinal.

Números:

GPs Disputados: 35
Estreia na F1: GP da Austrália, em 2008
Poles: 1
Melhores Voltas: 1

Site Oficial: www.forceindiaf1.com

Renault: de volta às origens

Após o lamentável episódio envolvendo Nelsinho Piquet, Flavio Briatore, Pat Symonds e Fernando Alonso (ninguém vai me convencer de que ele não sabia de nada), a Renault vive uma nova fase com a chegada do grupo Genii Capital, agora acionista majoritário do time francês. A equipe vive também um momento revival, mostrando um carro com as cores originais da Renault, e que remetem à sua primeira fase na Fórmula 1, entre os anos 70 e 80.


Com a saída de Alonso, a Renault perdeu sua maior força, passando então a contar com o talento e a juventude de Robert Kubica, que agora precisa se firmar o quanto antes como um piloto de ponta. Potencial para isso ele tem de sobra e a hora de prová-lo é agora. O vice-campeão da GP2, Vitaly Petrov, completa a dupla de pilotos, mas sua escolha como segundo piloto ainda é vista com desconfiança.

O novo carro, o R30, pouco fez durante a pré-temporada e também é uma incógnita. Sendo assim, acredito que dificilmente fará algo diferente do que vem mostrando desde 2007.

Apesar da presença de Kubica no time, a inexperiência de Petrov pode ser um dos principais obstáculos para levantar a equipe na tabela de classificação. Vitórias? Esqueça. No máximo um pódio ou outro, nas melhor das circunstâncias.

Números:

GPs Disputados: 262
Estreia na F1: GP da Inglaterra, em 1977
Primeira Vitória: GP da França, em 1979 (Jean-Pierre Jabouille)
Vitórias: 35
Poles: 51
Melhores Voltas: 29
Títulos de Pilotos: 2
Títulos de Construtores: 2

Site Oficial: www.renaultf1.com

Williams: futuro ainda incerto

Depois de cinco anos sem vitórias e de desempenhos que contrastam com seu passado de glórias, a Williams precisa mostrar agora que tem condições de voltar a andar na frente.


Embora conte com a sede de vitórias de Rubens Barrichello - algo essencial em qualquer piloto, veterano ou não - e o talento do mais novo campeão da GP2, o alemão Nico Hülkenberg, a equipe sabe que o orçamento limitado é um fator preocupante para esta temporada.

O motor Cosworth é outro item limitador. Por isso, a experiência de Rubens foi fundamental para desenvolvê-lo durante a pré-temporada, o que não elimina a necessidade de ajustes durante as 19 etapas do campeonato. É certo que equipe vai precisar tirar o máximo da potência de seu propulsor caso queira realmente sair do pelotão intermediário e começar a dar seu recado às grandes equipes, incomodando pra valer.

Assim como a Red Bull, a Williams também investiu em um design agressivo ao desenvolver o FW32, explorando o quanto pôde a aerodinâmica, o que pode ajudar na disputa pelas primeiras posições nos circuitos de alta velocidade. Com tudo isso, a conquista da tão sonhada vitória ainda é a principal dúvida. A conquista dos pontos, porém, deverá acontecer ainda nas primeiras provas, dando um novo ânimo à equipe de Sir Frank Williams.

Números:

GPs Disputados: 534
Estreia na F1: GP da Argentina, em 1978
Primeira Vitória: GP da Inglaterra, em 1979 (Clay Regazzoni)
Vitórias: 113
Poles: 125
Melhores Voltas: 130
Títulos de Pilotos: 7
Títulos de Construtores: 9

Site Oficial: www.williamsf1.com

Ferrari: aposta no sangue latino

Tudo o que a Ferrari quer este ano é esquecer o pesadelo que foi a temporada de 2009, com um carro que desde o início se mostrou problemático e o terrível acidente sofrido por Felipe Massa na Hungria. Para 2010, a equipe desenvolveu um carro do zero, o F10, e agora, contando com Fernando Alonso no time, forma com Felipe uma das duplas mais competitivas e motivadas do grid. É o que se espera de qualquer grande equipe.


Ainda é cedo para saber como será a convivência entre os dois dentro da equipe, quando as disputas por pontos e vitórias tornarem-se mais acirradas. A personalidade tranquila de Felipe já é conhecida, assim como o temperamento difícil de Alonso, e vale lembrar que ambos já tiveram um atrito em 2007, após o GP da Europa, transmitido ao vivo para todo o mundo.

O desempenho do F10 durante a pré-temporada pode dar um indício de que a equipe chegará a um bom patamar em termos de competitividade, mostrando a todo mundo que a temporada de 2009 não passou de um acidente de percurso, embora com consequências sempre muito ruins.

Números:

GPs Disputados: 793
Estreia na F1: GP da Inglaterra, em 1950
Primeira Vitória: GP da Inglaterra, em 1951 (José Froilán Gonzalez)
Vitórias: 210
Poles: 203
Melhores Voltas: 219
Títulos de Pilotos: 12
Títulos de Construtores: 16

Site Oficial: formula1.ferrari.com

Red Bull: enfim, uma grande equipe

Depois da excelente campeonato em 2009, quando terminou na vice-liderança dos Mundiais de Pilotos e Construtores, a Red Bull conseguiu, definitivamente, seu passe para o grupo das grandes equipes. Este ano, é forte favorita na disputa pelo título, depositando suas esperanças no veterano Mark Webber e, principalmente, no jovem alemão Sebastian Vettel.


Com o RB6, mais uma obra de arte com a assinatura de Adrian Newey, a Red Bull tem tudo para colocar em prática as lições que aprendeu no ano passado. Mas precisa apostar também na confiabilidade do motor Renault, duramente criticado pelo dono da equipe, Dietrich Mateschitz, pela perda do título em 2009.

Em comparação com o motor Mercedes que equipa duas das quatro equipes favoritas ao título, o da Renault perde feio. Com isso, só o tempo dirá se o conjunto chassi-motor trará resultados capazes de manter os dois pilotos na disputa durante todo o ano.

Sorte de Sebastian Vettel, que acabou sendo beneficiado com a volta de Michael Schumacher à categoria. Isto porque, com a maior parte das atenções da mídia e da torcida alemã voltadas para o heptacampeão, a pressão sobre seus ombros diminuiu drasticamente, o que pode ser crucial em momentos decisivos do campeonato. Cabe a Vettel provar que não irá mais cometer os mesmos erros do passado e que lhe custaram preciosos pontos.

Quanto a Webber, este terá que provar a que veio, mostrando se é, de fato, um piloto vencedor e capaz de brigar pelo título ou apenas um suporte para Vettel. Só assim poderá garantir seu lugar no time em 2011.

Números:

GPs Disputados: 88
Estreia na F1: GP da Austrália, em 2005
Primeira Vitória: GP da China, em 2009 (Sebastian Vettel)
Vitórias: 6
Poles: 5
Melhores Voltas: 6

Site Oficial: www.redbullf1.com

Mercedes: de olho nas flechas de prata

A marca alemã volta à Fórmula 1 com equipe própria pela primeira vez desde 1955, quando abandonou as pistas após um trágico acidente nas 24 Horas de Le Mans daquele ano.


E voltou em grande estilo, tirando da aposentadoria ninguém menos que o heptacampeão Michael Schumacher, para correr ao lado de outro alemão e bem mais jovem: Nico Rosberg. Some a isso a presença de Ross Brawn no comando do time e a conclusão a que se pode chegar não poderia ser outra: a Mercedes sabe muito bem o que está fazendo.

Que a equipe tem grandes chances de lutar por vitórias, ninguém duvida, mas com as mudanças do regulamento e pelo menos três concorrentes de peso brigando pelas primeiras posições, tudo pode acontecer. Não descarto nem mesmo a possibilidade de atritos com Rosberg, relegado compulsoriamente ao posto de segundo piloto com a confirmação de Schumacher na equipe.

Não creio que a idade seja um fator negativo para Schumacher. Acredito até que ele está mais bem preparado fisicamente do que muitos de seus oponentes, todos bem mais jovens.

Mas é certo que ele terá muito mais trabalho do que em seus tempos de Benetton e Ferrari, quando havia somente um piloto em cada fase de sua carreira capaz de enfrentá-lo na luta pelo título. Este ano, com a enorme pressão sobre seus ombros, a história será bem diferente para o piloto alemão.

É bem possível que a Mercedes repita o que fez na temporada de 1954, quando voltou às pistas, após 15 anos de ausência, e desbancou a concorrência levando o argentino Juan Manuel Fangio ao seu segundo título na categoria. Hoje, as expectativas são muitas, dependendo em grande parte do desempenho do carro e do próprio Schumacher nas primeiras provas do campeonato.

Números:

GPs Disputados: 12
Estreia na F1: GP da França, em 1954
Primeira Vitória: GP da França, em 1954 (Juan Manuel Fangio)
Vitórias: 9
Poles: 8
Melhores Voltas: 9
Títulos de Pilotos: 2

Site Oficial: www.mercedes-gp.com

McLaren: pronta para reagir

Depois de um início de temporada desastroso em 2009, superado após as duas vitórias de Lewis Hamilton na segunda metade do campeonato, para este ano, a meta principal da McLaren não poderia ser outra: brigar pelas vitórias e garantir a disputa pelo título o mais cedo possível. A seu favor, a presença de dois campeões mundiais, o que considero bom e ruim ao mesmo tempo.


Se por um lado existe o lado positivo de poder contar com dois pilotos de ponta - o que não é nenhuma novidade para a McLaren -, por outro existe o risco de presenciarmos a tão temida guerra de egos. Além disso, ambos são ingleses e certamente dividirão as atenções da torcida e da imprensa. Porém, não creio que, se isso acontecer, vejamos algo parecido com o que ocorreu entre Ayrton Senna e Alain Prost no final dos anos 80.

Contra a equipe, temos o fim bastante tenso da parceria com a Mercedes, que continua como fornecedora de motores, mas entra com tudo na briga pelo campeonato com um time próprio, sendo responsável pela volta de Michael Schumacher à Fórmula 1. Com isso, a McLaren se vê obrigada agora a caminhar com as próprias pernas e só o futuro dirá o que poderá acontecer com a equipe, incluindo o aspecto financeiro.

O carro deste ano, o McLaren MP4-25, caracteriza-se por um design agressivo, com destaque para as pequenas entradas de ar, o apêndice aerodinâmico ligando a asa traseira à parte da carenagem que cobre o motor e uma série de mudanças na parte traseira do carro para que aumentar e otimizar o desempenho do difusor duplo, alvo de muitas polêmicas na pré-temporada do ano passado.

Números:

GPs Disputados: 665
Estreia na F1: GP de Mônaco, em 1966
Primeira Vitória: GP da Bélgica, em 1968 (Bruce McLaren)
Vitórias: 164
Poles: 145
Melhores Voltas: 136
Títulos de Pilotos: 12
Títulos de Construtores: 8

Site Oficial: www.mclaren.com