terça-feira, 3 de agosto de 2010

Farsa... com "F" de Ferrari

A edição atual da Autosport tem como destaque:

Tudo sobre a polêmica envolvendo Ferrari, Felipe Massa e Fernando Alonso no GP da Alemanha, e que a revista Autosport definiu perfeitamente com uma só palavra estampada em sua capa: farsa. A reportagem lembra ainda que, em outras ocasiões, a FIA ignorou a proibição ao jogo de equipe, e que talvez só tenha decidido tomar uma atitude agora em função da reincidência da Ferrari nesse tipo de situação e do mal-estar provocado nas outras equipes e entre os fãs.

A revista teve o cuidado de consultar uma empresa de advocacia para analisar a situação e o que dizem as regras do atual regulamento da categoria. Na análise, o especialista John Kenneally ressalta que, embora o parágrafo 39.1 diga que as ordens de equipe que interfiram nos resultados de uma corrida são proibidas, ao mesmo tempo não há nada que especifique o que vem a ser uma ordem de equipe ou quais resultados poderiam ser alterados por isso. E abre um impasse, alegando que a Ferrari tanto pode argumentar que não intereferiu nos resultados do GP da Alemanha - pois como Alonso era mais rápido do que Massa, ultrapassaria o piloto brasileiro de qualquer jeito -, assim como também pode alegar que tudo foi decidido entre os pilotos.

A Renault teve que recuar seus planos de começar a trabalhar no carro de 2011 depois que teve recusado seu pedido de adiantamento das cotas dos direitos de transmissão de TV. Como já se sabe, tal pedido levantou suspeitas de que a equipe francesa estivesse passando por dificuldades financeiras, o que foi imediatamente negado pelo chefe de equipe, Eric Boullier. Mas a falta de grana já é sentida nesta temporada, sendo percebida na queda de rendimento do R30. A provável causa é a dificuldade Gerard Lopez, co-proprietário da equipe, de conseguir patrocinadores necessários para cobrir os investimentos feitos pela montadora francesa antes do início da temporada.

A Mercedes admitiu que a má fase que vem enfrentando nesta temporada se dá pelo fato de não ter tido tempo suficiente para desenvolver o carro. Faz sentido. Para quem não se lembra, a montadora alemã só comprou a Brawn GP após o fim do campeonato de 2009. Isto, por si só, já representou um enorme atraso no cronograma, pois ainda que a Mercedes já estivesse planejando fechar negócio, a Brawn manteve-se concentrada apenas em se sustentar no campeonato do ano passado e lutar pelo título até o fim, deixando o desenvolvimento do carro de 2010 em segundo plano.

Em sua coluna, David Coulthard fez uma análise do que aconteceu no GP da Alemanha, comparando com situações semelhantes pelas quais passou em 1997 (Jerez de La Frontera) e 1998 (Melbourne), saindo em defesa de Felipe Massa, acrescentando que, acima de tudo, era sua reputação que estava em jogo. A pergunta que fica: perante quem a reputação de um piloto vale mais? À equipe que o emprega ou à enorme torcida que esses caras têm ao redor do mundo, além de seus patrocinadores pessoais?

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