Há exatos 40 anos, o Brasil dava um novo passo em sua trajetória no esporte a motor. No dia 18 de julho de 1970, no GP da Inglaterra, Emerson Fittipaldi fazia sua estreia na Fórmula 1, tornando-se, depois de Chico Landi, um dos principais incentivadores na carreira de muitos jovens pilotos que viriam a surgir nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, foi ele também que colocou a principal categoria do automobilismo esportivo mundial na boca do povo, perdendo somente para o futebol.A história de Emerson na Fórmula 1 começou a se desenhar poucos meses antes, quando o piloto brasileiro, que vinha se destacando pelos resultados nas categorias de base por onde passou (Fórmula Ford, Fórmula 2 e Fórmula 3), teve a sorte - somada a uma grande dose de talento - de atrair a atenção de Colin Chapman, dono da lendária Lotus e um dos maiores gênios que já passaram pela Fórmula 1.
Além da pouca idade com a qual Emerson vinha se destacando no automobilismo europeu (23 anos na época), ele também se destacava pela rapidez de aprendizado, característica esta que seu irmão, Wilsinho, conhecia muito bem: "O que mais me impressiona é o talento natural que o Emerson tem para pilotar. Pilotos como eu, Pace, Piquet ou Peterson, por exemplo, podem até andar rápido, mas temos de trabalhar muito mais. O que o Emerson aprendia em três voltas eu levava seis ou mais para assimilar."
Emerson chegou a ser sondado por Frank Williams, logo após a morte de Piers Courage, no GP da Holanda daquele ano, mas foi convencido por seu amigo Chico Rosa a segurar a ansiedade e esperar por uma oferta melhor, de uma equipe melhor estruturada. E a Lotus, na época, era essa equipe, aquela com a qual todo piloto sonhava um dia em correr.
O convite irrecusável
Dias depois, um executivo da Lotus, Dick Scamell, procurou Emerson e o encontro com o chefe foi, enfim, acertado. Após a conversa - e já com um contrato assinato -, dias depois a Lotus confirmou o primeiro teste do piloto brasileiro, no dia 8 de junho, em Silverstone. A máquina a ser testada: um Lotus 49C, com o qual Jochen Rindt vencera o GP de Mônaco no mês anterior.
Na pista, sob os olhares atentos de Chapman e Rindt, Emerson não fez feio, embora tivesse percebido logo de cara a má vontade do piloto austríaco com aquela situação, tendo sido obrigado a testar um carro velho para deixá-lo em boas condições para o novato que acabara de chegar à equipe. No início, Emerson sentiu que o carro estava saindo de frente, no que Rindt aconselhou: "Senta a bota que o carro acerta!". E Emerson obedeceu. A partir daí, os tempos foram baixando volta a volta, até marcar seu melhor tempo em 1min22s6. No fim do teste, Chapman baixou a ordem: "Você estreia em Brands Hatch."
A Fórmula 1 abre as portas para o Brasil
E chega o grande dia. Tanto nos treinos quanto na corrida, Emerson teve um desempenho à altura de um estreante, mas o suficiente para mostrar o quanto era rápido e determinado, o que acabou lhe garantindo o oitavo lugar da prova, depois de ter largado em antepenúltimo.
Até a 39ª volta, seu ritmo não era dos melhores, sendo sempre dois ou três segundos mais lento que os líderes. A partir daí, começou a pisar forte, alcançando a 12ª posição, enquanto Jack Brabham seguia na liderança. Na 55ª volta, já era o oitavo colocado, aproveitando-se do abandono de três pilotos e da ultrapassagem sobre François Cévert.
Duas voltas depois, quando estava em condições de ganhar mais posições, em uma disputa com Graham Hill e Chris Amon, perde a quarta marcha - situação esta que só foi piorando nas voltas seguintes - e Cévert recupera a posição de Emerson.
Com isso, o brasileiro decide não se precipitar logo em sua estreia e opta apenas por levar o carro até o fim, a duas voltas de Rindt, que venceu a prova com meio segundo de vantagem sobre Brabham, que liderou até a última curva, quando ficou sem gasolina. Ao parar o carro, Emerson se dividia entre a alegria de estrear na Fórmula 1 e a dor. É que, com o esforço causado pela deteriorização do câmbio, uma cãimbra terrível fez com que ele não conseguisse soltar as mãos do voltante.
Nesse dia, uma nova página se abria e a história do Brasil no automobilismo mundial começava a ser reescrita.
Para saber mais sobre o GP da Inglaterra:
- Report
- Volta a volta
Créditos das Fotos: © LAT Photographic e Rainer Nyberg


Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



4 comentário(s):
Sempre penso na hipótese do Emerson não ter entrado tão cedo na Copersucar... Será q teriamos no mínimo um tri? Acredito que seria daí p/frente, afinal alcançou o bi cedo, mesmo em comparação com os baby drivers de hoje.
Acompanhando a saída do Emerson da Mclaren, tenho certeza que o título de Hul que ficou com a sua vaga seria do Emerson.
Rui e Luiz, obrigado pelos comentários. Eu acredito muito na hipótese de Emerson ter encerrado sua carreira na Fórmula 1 como tricampeão. Embora muita gente veja o projeto da Copersucar com certa simpatia, ainda assim considero um erro sua saída precipitada da McLaren para apostar em algo ainda incerto na época.
Emerson sempre demonstrou alma de campeão, talvez seja isso que tenha faltado ao Massa na corrida de hoje!
Olhem os carros em www.procureseucarro.com
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