
Em 8 de maio de 1982, nos momentos finais dos treinos de classificação para o GP da Bélgica, Villeneuve não aceita de forma alguma ser batido por seu companheiro de equipe, o francês Didier Pironi, no grid de largada. Ambos estavam brigados desde a corrida anterior, em Ímola, por causa de um acordo selado para que não houvesse disputa entre os dois e que fora quebrado.
Decidido a mudar o desfecho dos treinos, Villeneuve tenta a todo custo bater o tempo de Pironi. Na saída da curva Eerste Linkse, o piloto canadense encontra a March 821 do alemão Jochen Mass andando lentamente na pista, toca em sua roda traseira direita e dá início a uma série assustadora de capotagens.
No último giro, Villeneuve é arremessado para fora do carro rumo às telas de proteção do circuito e com o banco preso ao seu corpo pelo cinto de segurança. O socorro é imediato. Os médicos tentam reanimá-lo a todo custo com massagens cardíacas e respiração boca-a-boca, sem sucesso. O piloto é transferido para o hospital local, com sérias lesões cervicais. Horas depois, o mundo recebia a notícia que mais se temia: Gilles Villeneuve estava morto.

Se alguém hoje analisar os números de Villeneuve na Fórmula-1 sem ter presenciado ou assistido parte de sua atuação nas pistas, poderá cometer certa injustiça na avaliação. Afinal, foram apenas 67 GPs disputados, nenhum título mundial e seis vitórias - um número considerado muito baixo para os padrões de hoje e até mesmo naquela época.
O fato é que, para Villeneuve, isso pouco importava. Até mesmo a conquista de um campeonato, que nunca veio, ele dizia ser uma conseqüência da realização de um bom trabalho. Para um piloto com seu estilo, o importante era acelerar o máximo que pudesse, correndo tantos riscos quantos fossem necessários. E foi justamente essa maneira de viver e pensar que, por ironia, acabaria repentinamente com a trajetória de um piloto que sabia transformar talento em arte.
Jornalista, 37 anos. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70, quando Emerson Fittipaldi corria pela Copersucar. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.


9 comentário(s):
Me lembro bem do dia em que o Gilles morreu. Tinha 9 anos e quando voltava da escola e vi no plantão do JN a notícia da morte dele. Foi um choque muito grande, pois até então, eu não tinha presenciado uma morte no esporte que eu estava acompanhando desde 1981.
Ainda guardo na lembrança a grande corrida que ele fez no GP do Canadá de 1981.
Parabéns pelo texto sobre o Gilles, eu lembro das corridas que ele fez e tb do seu acidente. Foi um ótimo piloto. Recebi no meu email e salvei. Um abraço.
O acidente do Gilles realmente marcou a memória de muita gente, porque apesar de naquela época a morte de um piloto não ser nenhuma novidade, o mundo ficou chocado por ter acontecido com o Gilles.
Quanto ao GP do Canadá de 1981, revi essa corrida esta semana, com a narração do Luciano do Valle. Depois disponibilizo o link para download aqui no blog.
Ah eu quero essa corrida, ver finalmente ogênio Villeneuve em ação *--*
Desculpa a pergunta mais a última foto já é dele falecido?
Sobre a última foto, sim, é do velório dele, que foi aberto ao público.
Nunca tinha visto uma foto dele morto. Nem tava com cicatrizes ou cortes no rosto. Sinistro...
Una historia impresionante y muy buen recuerdo de una leyenda que muchos llevamos en el corazón.
http://pulguitaatodogas.blogspot.com/
Vilineuve foi um monstro sagrado. Um dos melhores. Deviam fazer um especial na TV sobre a vida dele. um abraço. Roberto Neigenfind. Bravo Tecnologia. http://www.bravotecnologia.com.br/
sinistro mesmo..
grande piloto..
Tomás
http://theformula1.wordpress.com/
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