
Ao tomar conhecimento de que um assassinato havia sido cometido naquela cidade e ciente das dificuldades de locomoção existentes na época, o editor do Le Petit Journal, Pierre Griffard, não escondia sua irritação por não ter condições de se deslocar até o local do crime a tempo de retornar à capital francesa e publicar a reportagem na próxima edição do jornal.
Naquela época, o principal meio de transporte usado em viagens de longa distância era a carruagem, ainda longe de ser a melhor opção em termos de rapidez e conforto. Foi aí que Griffard resolveu pedir emprestado o carro movido a petróleo de seu amigo Emile Levassor, mas sem a sorte de encontrá-lo em Paris naquele momento.
Desanimado por ver uma boa reportagem lhe escapar das mãos, surgiu-lhe a ideia de organizar uma corrida de carros, na intenção de estimular a construção de outros veículos ainda melhores e mais seguros, graças a uma boa premiação.
No dia seguinte, os leitores do Petit Journal se depararam com o seguinte anúncio em suas páginas: Corrida de Paris a Rouen para carros não movido a cavalos. O tal anúncio informava também que um prêmio de cinco mil francos seria entregue a qualquer construtor que provasse que participar de corridas de automóveis, sem risco de morte ou ferimentos, era fácil e não muito caro.
E assim, em 22 de julho de 1894, com 126 quilômetros de distância, foi realizada a primeira corrida de carros da história.
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



1 comentário(s):
Não conhecia a história!
O que mais me chama a atenção nela é o papel do jornalista no período. A primeira corrida ser promovida por um tem um grande peso simbólico.
Recentente descobri que foi um jornalista que uniu esforços para criar uma equipe de competição na Suíça, que se tornou a Scuderia Filipinetti, muito bem-sucedida em corridas de turismo.
E hoje eles se limitam a ficar nos currais dos paddocks colhendo as falas ensaiadas dos pilotos para estampar no jornal do dia seguinte. Isso é que é decadência...
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