Estou indo viajar daqui a pouco, mas não poderia deixar de trazer uma excelente notícia para os fãs da Fórmula-1 que apreciam boas revistas sobre o esporte: a edição brasileira da excelente F1 Racing está de volta. Depois de dois anos de jejum, ela volta ao mercado, agora sob o comando da On Line Editora.
Fiquei surpreso ao ver a revista em uma banca de jornais agora há pouco. Inicialmente, achei que fosse a edição inglesa, que compro todos os meses, mas ao chegar mais perto, notei os textos em português impressos na capa e não pensei duas vezes.
Já estou com a revista em mãos, mas como hoje meu dia está corrido, farei a leitura durante a viagem. E assim que tiver um tempinho, publicarei uma resenha aqui no Almanaque durante o fim de semana, ok?
A última vitória de um piloto brasileiro no GP Brasil foi uma verdadeira lavada na alma (o clichê aqui se faz necessário), não só do torcedor brasileiro mas de qualquer fã da Fórmula-1.
Como de praxe, a indefinição do tempo em São Paulo acabou dando um tempero à corrida, que mais uma vez seria palco da decisão do campeonato. Se de um lado Felipe Massa (Ferrari) estava prestes a pôr todo seu amadurecimento à prova, do outro Lewis Hamilton (McLaren) mostrava-se disposto a tudo para não cometer os erros de 2007, que acabaram lhe custando o campeonato daquele ano.
A corrida
Nos treinos de classificação, Massa obteve sua terceira pole consecutiva em Interlagos, com o tempo de 1m12s368, tornando-se assim o mais novo recordista de poles no circuito paulistano, igualando-se a Ayrton Senna (1990, 1991 e 1994) e Mika Häkkinen (1998, 1999 e 2000). Com isso, parte da batalha já estava garantida. Mas com um título em jogo, todos sabiam que havia muito mais a ser feito. E assim foi.
Na largada, atrasada em dez minutos por causa da chuva, Massa saiu na frente e permaneceu na liderança durante grande parte da prova, ganhando assim a motivação necessária para administrar a corrida e garantir a vitória. No meio do pelotão é que a disputa rolava solta, com uma intensa troca de posições, fazendo da etapa de Interlagos a mais emocionante do campeonato. Mal sabia o público o que estava por vir dali em diante.
Mas para Hamilton, nada disso importava. Bastava-lhe apenas assegurar a quinta posição para conquistar o tão sonhado título. Enquanto isso, Massa seguia tranqüilo na ponta, deixando que o destino ditasse as regras dali pra frente.
A oito voltas para o final, mais uma vez a chuva caiu sobre Interlagos e outra troca de pneus se fez necessária. A três voltas para a bandeirada final, sentindo a pressão, Hamilton é ultrapassado por Sebastian Vettel (Toro Rosso) e por pouco não pôs tudo a perder.
De tirar o fôlego
Ao cruzar a linha de chegada em primeiro, por alguns segundos a torcida brasileira chegou a sentir o gostinho de ver o Brasil conquistando mais um título na Fórmula-1, 17 anos depois do tricampeonato de Senna. Mas na última curva, veio o golpe fatal, quando Hamilton, partindo para o tudo ou nada, ultrapassa Timo Glock (Toyota) e reassume o quinto lugar, tornando-se o mais jovem campeão na história da categoria.
Até então, nunca a Fórmula-1 tinha visto coisa igual. E apesar da perda do título, na última curva da última volta, Felipe Massa saiu de Interlagos de peitor aberto, com a certeza de que naquele dia, definitivamente, ele conquistara o coração da torcida. Sem dúvida, um dia como esse é para nunca mais esquecer.
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.