domingo, 31 de maio de 2009

Os 50 anos de Andrea de Cesaris

Entre os pilotos que já passaram pela Fórmula-1, muitos acabam permanecendo para sempre em nossas memórias. Normalmente, isso ocorre em função das vitórias e títulos obtidos nas pistas, resultantes de uma carreira recheada de glórias e conquistas. Alain Prost e Michael Schumacher são dois bons exemplos disso. Mas há casos em que, mesmo com uma trajetória de resultados pouco expressivos, certos pilotos possuem características tão marcantes que, por esse motivo, acabam sempre lembrados de alguma forma.

Este é o caso de Andrea de Cesaris, que, ao longo de seus 15 anos na Fórmula-1, obteve a incrível marca de 148 abandonos. E tudo isso em 208 Grandes Prêmios disputados entre 1980 e 1994, fazendo dele o piloto com o maior número de corridas sem vitória. Ambas as marcas permanecem até hoje em seu currículo, mas vale lembrar que muito da má sorte deste italiano nascido em Roma foi resultado também de problemas mecânicos ocorridos nos 20 carros que pilotou nas equipes por onde passou.

De Cesaris era um piloto rápido e constante, capaz de provar seu talento se tivesse um carro confiável em mãos, o que acabou demonstrando em alguns momentos da fase final de sua carreira. Nem por isso livrou-se da fama de destruidor, o que lhe valeu a infeliz alcunha de "Andrea de Crasheris", obtida em 1981, quando correu pela McLaren e destruiu 22 carros durante treinos e corridas.

De Cesaris dando início a uma incrível série de capotagens no GP da Áustria, em 1985

Para alimentar sua fama, no paddock ele era visto como uma espécie de piada pronta, a ponto de insinuarem que o número de seu carro naquela temporada era o 8 porque dessa forma seria mais fácil de ele ser identificado pelos fiscais toda vez que estivesse de cabeça para baixo. Nesse ano, o rastro de destruição deixado por De Cesaris era tão grande que alguns mecânicos da equipe se recusavam a fazer os devidos reparos nos carros em um espaço de tempo tão curto.

Ao encerrar a carreira no GP da Europa, em 1994, correndo pela Sauber, De Cesaris deixou a Fórmula-1 fazendo parte do seleto grupo de pilotos que atingiram a casa dos 200 GPs disputados, ao lado de Riccardo Patrese - até então o recordista -, com 256 GPs, e Nélson Piquet, com 204, o que na época era coisa para poucos.

Após a aposentadoria como piloto, tornou-se um bem-sucedido corretor da bolsa em Monte Carlo, também dedicando parte de seu tempo à prática do windsurfe. Ficou dez anos afastado do automobilismo, retornando às pistas somente em 2005, ao disputar o campeonato de estréia da GP Masters, terminando em quarto lugar na etapa de abertura, na África do Sul.

Histórico na Fórmula-1:

Estréia: 1980 (GP do Canadá / Alfa Romeo)
Equipes: Alfa Romeo, McLaren, Ligier, Minardi, Brabham, Rial, Scuderia Italia, Jordan, Tyrrell e Sauber
GPs Disputados: 208
Pole Positions: 1 (EUA-Long Beach, em 1982)
Largadas na 1ª Fila: 2 (EUA-Long Beach e EUA-Detroit, em 1982)
Melhores Voltas: 1 (Bélgica, em 1983)
Voltas na Liderança: 32
Pódios: 5
Pontos: 59
Abandonos: 148
Melhor Resultado: 2º lugar (Alemanha e África do Sul, em 1983)

Leia também:

- Feliz Aniversário, De Crasheris!

Créditos das Fotos: Metrona e Rainer Nyberg

sábado, 30 de maio de 2009

Fórmula-1 aos domingos? Nem sempre

Na terça-feira, um leitor anônimo deste blog fez uma pergunta interessante nos comentários deste post. Ele queria saber se alguma corrida, na época em que Ayrton Senna competiu na Fórmula-1, chegou a ser disputada em um sábado. A resposta é sim. Nesse período, apenas duas provas foram disputadas aos sábados, em 1984 e 1985. Coincidentemente, ambas na África do Sul, no circuito de Kyalami. Depois disso, nenhuma outra prova da Fórmula-1 deixou de ser disputada aos domingos.

Para os fãs com menos de 20 anos, isso pode soar estranho, mas desde os seus primórdios a Fórmula-1 teve diversas corridas disputadas aos sábados ou em dias úteis da semana. Uma delas foi a própria corrida que marcou o início do campeonato, na Inglaterra, disputada em 13 de maio de 1950, um sábado, para não coincidir com o culto religioso realizado em Silverstone naquela época.

No total, 69 provas deixaram de ser disputadas tradicionalmente aos domingos, incluindo nessa lista as famosas 500 Milhas de Indianápolis (apesar de não serem exatamente corridas de Fórmula-1, entre 1950 e 1960 elas contaram pontos para o campeonato, dando assim um caráter mundial à disputa). São elas:

- África do Sul: 1962, 1963 e de 1965 a 1985
- Estados Unidos: 1959, 1981 e 1982
- Holanda: 1958, 1960, 1961, 1969 e 1982
- Indianápolis: De 1950 a 1960
- Inglaterra: De 1950 a 1967, de 1971 a 1975, 1979 e 1983
- Marrocos: 1958
- Suécia: 1978

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os números do GP de Mônaco - Parte 2

Jenson Button fez o que quis em Mônaco. Conquistou não só sua terceira vitória consecutiva no campeonato, mas também mais um passo em sua trajetória rumo ao título. Muita água ainda vai rolar até o final da temporada, é verdade, mas se Button continuar no ritmo em que está, não descarto a possibilidade de vermos um cenário semelhante ao que vimos em 1992. Foi quando Nigel Mansell destruiu a concorrência com a Williams FW14B, o famoso carro de outro planeta, e conquistou o título por antecipação, a cinco provas do fim do campeonato.

Quanto ao GP de Mônaco, a corrida em si foi bastante monótona, mantendo a tradição, mas resultou em números interessantes para as estatísticas do Grande Prêmio monegasco. Com a vitória de Button, a Inglaterra desempata com a França e passa a liderar o ranking de vitórias, com dez no total. Nessa lista, o piloto da Brawn GP está em excelente companhia, estando ao lado de Stirling Moss, com três vitórias (1956, 1960 e 1961); de Graham Hill, com cinco (1963, 1964, 1965, 1968 e 1969); e Lewis Hamilton, com uma (2008). O Brasil é o terceiro no ranking, com seis vitórias, todas de Ayrton Senna.

Entre as equipes, a McLaren reina absoluta, com 15 vitórias no total, sendo cinco delas pelas mãos de Senna, entre 1989 e 1993. A Ferrari vem logo atrás, com oito, seguida pela Lotus, com quatro. Entre as equipes ainda em atividade, fora a Ferrari e a Brawn GP, apenas Williams e Renault venceram em Mônaco.

Em 56 edições, apenas nove pilotos conseguiram fazer um hat trick (pole position, vitória e melhor volta): Juan Manuel Fangio (1950 e 1957), Stirling Moss (1961), Graham Hill (1965), Jackie Stewart (1971), Alain Prost (1986), Ayrton Senna (1990), Michael Schumacher (1994), Mika Häkkinen (1998) e Fernando Alonso (2007).

A menor diferença entre o primeiro e o segundo colocado em Mônaco ocorreu em 1992, na temporada arrasadora de Nigel Mansell. Naquela ocasião, Ayrton Senna conquistou sua quinta vitória no circuito de Monte Carlo, terminando a prova com apenas 215 milésimos de diferença em relação ao piloto inglês. Em 2001, Michael Schumacher ficou a apenas dois décimos de bater esse recorde, terminando a prova com 431 milésimos de diferença sobre Rubens Barrichello.

Até hoje, o GP de Mônaco teve apenas três dobradinhas entre pilotos de um mesmo país. As duas primeiras foram em 1968 (com Graham Hill em primeiro lugar e Richard Attwood em segundo) e 1969 (com Graham Hill e Piers Courage). Em 1986, veio a dobradinha brasileira - a terceira do País na história da Fórmula-1 -, com Ayrton Senna em primeiro e Nélson Piquet em segundo, no auge da rivalidade entre os dois pilotos.

Entre as equipes, o circuito de Monte Carlo teve sete dobradinhas, sendo três da McLaren (1986, 1989 e 2007), duas da Ferrari (1999 e 2001) e duas da Owen Racing Organisation (1963 e 1964).

Mônaco também foi palco de importantes momentos da carreira de diversos pilotos. Foi lá que Juan Manuel Fangio conquistou sua primeira vitória na Fórmula-1, em 1950, assim como Jack Brabham (1959), Denny Hulme (1967), Patrick Depailler e Riccardo Patrese (1982). O italiano Jarno Trulli, por exemplo, conquistou em Mônaco não só sua primeira e única vitória, mas também foi lá que obteve sua primeira pole, seguindo o exemplo de Fangio (1950), Jim Clark (1962), Emerson Fittipaldi (1972), John Watson (1977), entre outros.

Leia também:

- Curiosidades do GP de Mônaco (Blog do Capelli)

Brawn GP lança concurso na Internet

A Brawn GP lançou ontem em seu novo site um concurso em que fãs do mundo inteiro terão a chance de concorrer a uma miniatura exclusiva do capacete de Rubens Barrichello e autografada pelo próprio piloto.

A equipe pretende oferecer um brinde exclusivo todos os meses, botando em prática uma excelente estratégia de marketing para conquistar novos fãs, aproveitando o bom momento do time em sua temporada de estréia.

Para concorrer ao prêmio, basta se cadastrar no site da equipe e responder às três perguntas do concurso (são bem fáceis, acreditem). O prazo se encerra à meia-noite do dia 8 de junho e o vencedor será escolhido por sorteio.

* Crédito da Foto: Divulgação / Brawn GP

sábado, 23 de maio de 2009

Os números do GP de Mônaco - Parte 1

Com a sexta pole position da carreira de Jenson Button, a Inglaterra soma agora dez poles no GP de Mônaco, obtendo o recorde entre os países, deixando a Escócia para trás, com nove. Entre os pilotos ingleses, o recorde é de Stirling Moss, com três poles consecutivas, entre 1959 e 1961, seguido por Graham Hill (1965 e 1968) e Nigel Mansell (1987 e 1992). Button segue empatado com Tony Brooks (1958) e Damon Hill (1995).

No geral, o recorde é de Ayrton Senna, com um total de cinco poles (1985, 1988, 1989, 1990 e 1991), seguido por Juan Manuel Fangio (1950, 1955, 1956 e 1957), Jim Clark (1962, 1963, 1964 e 1966), Jackie Stewart (1969, 1970, 1971 e 1973) e Alain Prost (1983, 1984, 1986 e 1993). Fangio, aliás, deteve o recorde de poles em Monte Carlo durante 44 anos, até 1991, quando Senna obteve sua quinta pole no circuito monegasco.

Entre as equipes, o recorde é da McLaren, com 11 poles, todas obtidas nos últimos 25 anos, sendo quatro delas de Ayrton Senna (1988, 1989, 1990 e 1991). A Ferrari vem logo atrás, com nove poles, sendo três delas de Niki Lauda (1974, 1975 e 1976). E apenas quatro equipes fizeram dobradinha ao largar na primeira fila em Monte Carlo: Alfa Romeo (1950), Ferrari (1974, 1976, 1979 e 2008), McLaren (1988, 1989, 1998 e 2007) e Williams (1992).

Entre pilotos de um mesmo país, a dobradinha na primeira fila do grid de Monte Carlo só aconteceu duas vezes, em 1983, com Alain Prost (Renault) e René Arnoux (Ferrari), e em 1997, com Heinz-Harald Frentzen (Williams) e Michael Schumacher (Ferrari).

Schumacher lidera a lista dos pilotos com o maior número de largadas na primeira fila em Mônaco. Foram oito no total, sendo três delas na pole position, em 1994, 1996 e 2000. Em seguida, vem o francês Alain Prost, com um total de sete. Jack Brabham, Ayrton Senna e Jim Clark vêm empatados com seis. Entre os pilotos em atividade, Fernando Alonso e Kimi Räikkönen encabeçam a lista, com três largadas na primeira fila cada um.

Na última fila, temos mais uma vez os pilotos da Toyota repetindo o péssimo desempenho dos treinos da Austrália, com Jarno Trulli largando em 19º e Timo Glock em 20º. Com isso, a equipe japonesa fica empatada com a Force India ao somar cinco largadas na última fila nesta temporada. Se na corrida de amanhã pelo menos repetirem o desempenho da prova em Melbourne, já sairão no lucro.

É isso aí, pessoal. Amanhã tem mais. Até lá, não deixe de enviar seu palpite com os nomes dos três primeiros colocados no GP de Mônaco para concorrer a um dos brindes oferecidos pelo Almanaque da Fórmula-1. Saiba como participar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Os números do GP da Espanha

Depois de quase duas semanas sem atualizar o blog, por conta de alguns problemas de última hora, estou de volta com as já tradicionais estatísticas da temporada 2009. Lá vão elas:

Com a pole position obtida por Jenson Button na 39ª edição do GP da Espanha, a Brawn GP tornou-se a décima equipe a conquistar o primeiro lugar no grid neste Grande Prêmio. Antes dela, vieram Ferrari, Lancia, Lotus, Brabham, McLaren, Ligier, Williams, Benetton e Renault.

E esta foi a 21ª vez que o detentor da pole position na Espanha terminou a corrida na primeira posição, com Michael Schumacher conseguindo a façanha por cinco vezes: em 1995, pela Benetton, e na seqÜência de 2001 a 2004, pela Ferrari. E em duas ocasiões o detentor da pole não venceu mas chegou ao pódio: em 1981, com Jacques Laffite (Williams), e em 1994, com Michael Schumacher (Benetton), com ambos terminando a prova na segunda posição.

Button passou a ser o quarto piloto inglês a obter a pole position no GP da Espanha. O último tinha sido Damon Hill, em 1996, pela Williams. Antes dele vieram Nigel Mansell (Williams/1992) e James Hunt (McLaren/1976). O recordista, claro, é Michael Schumacher, com um total de sete poles no GP espanhol, sendo duas pela Benetton, em 1994 e 1995, e o restante pela Ferrari, entre 2000 e 2004.

Apenas em duas ocasiões dois pilotos de um mesmo país largaram na primeira fila do GP da Espanha. A primeira foi em 1979, com os franceses Jacques Laffite e Patrick Depailler, ambos da Ligier, e a segunda em 1986, com os brasileiros Ayrton Senna (Lotus) e Nélson Piquet (Williams). Foi também a décima vez que uma equipe obteve uma dobradinha no pódio da Espanha. Nesse quesito, a Ferrari é a líder, com quatro dobradinhas (1974, 1990, 2004 e 2008), seguida pela McLaren, com três (1998, 1999 e 2000). Lotus e Benetton têm uma dobradinha cada uma, em 1978 e 1995, respectivamente, empatadas com a Brawn GP (2009).

Curiosamente, o GP da Espanha só teve até agora uma dobradinha por país, ou seja, com dois compatriotas dividindo os dois primeiros lugares do pódio. Foi em 1951, com Juan Manuel Fangio (Alfa Romeo) em primeiro e José Froilan González (Ferrari) em segundo.

Quem correu com o número 19 teve menos sorte em terras espanholas. No total, foram 18 abandonos com esse número, tendo o finlandês Mika Salo como principal azarado, com dois abandonos consecutivos, em 1996 e 1997, ambas pela Tyrrell. Alguns dos principais nomes que já tiveram problemas com o número 19 ao longo de toda a história da categoria, estão Louis Chiron, Jean Behra, John Surtees, Chris Amon, Clay Regazzoni e Ayrton Senna, entre outros.

Dos pilotos atuais, Jarno Trulli é o recordista, com oito abandonos usando o número 19, em 1999, todos pela equipe Prost. Já a Ferrari é a recordista de abandonos neste Grande Prêmio, com 28 no total, obviamente por ser a equipe mais antiga da Fórmula-1.

Entre os pilotos em atividade, Kimi Räikkönen é o que passou o maior tempo na liderança do GP da Espanha, com 128 voltas, mas bem atrás do recorde de Michael Schumacher, que liderou 411 voltas neste Grande Prêmio, seguido por Nigel Mansell e Jackie Stewart, com 206 e 198, respectivamente.

Schumacher é também o recordista de hat tricks (vitória, pole e melhor volta) no GP espanhol, com três no total (2001, 2002 e 2004), todos pela Ferrari. Além dele, também obtiveram a mesma façanha os pilotos Niki Lauda (Ferrari/1974), Mario Andretti (Lotus/1978), Ayrton Senna (McLaren/1989), Mika Häkkinen (McLaren/1998), Felipe Massa (Ferrari/2007) e Kimi Räikkönen (Ferrari/2008).

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ayrton Senna (1960-1994)

Apenas uma imagem. Preciso dizer mais?

Ayrton Senna (1960 - 1994)
* Crédito da Foto: Norio Koike