
Depois de
Maria-Teresa de Filippis, a Fórmula-1 só contaria com a participação de outra mulher anos mais tarde, quando a também italiana
Maria Grazia Lombardi, carinhosamente chamada de
Lella, tentou se qualificar para o GP da Inglaterra de 1974, sem sucesso. Lella, porém, deixaria sua marca na história da categoria por um feito ainda maior, que será lembrado a seguir.
Seu interesse pelo automobilismo surgiu ainda na adolescência, ao ser levada a toda velocidade para o hospital, depois de levar um soco e quebrar o nariz durante uma partida de handebol. Depois desse episódio, já "contaminada" pelo vírus da velocidade e com o handebol deixado no esquecimento, Lella juntou todas as economias para comprar um Fiat de segunda mão, tirar a licença de motorista e assim dar início à carreira de piloto.
A estréia no automobilismo ocorreu na Fórmula Monza, categoria italiana de monopostos destinada a pilotos iniciantes. No ano seguinte, disputou algumas provas no Campeonato Italiano de Turismo a bordo de um Lancia Fulvia, voltando aos monopostos em 1967, correndo na Fórmula 850 até 1970, quando foi campeã italiana da categoria. Ao mesmo tempo, disputou também algumas provas na Fórmula 3 Italiana, mas sem grandes resultados.
De 1971 a 1973, correu na Fórmula 3 Européia, mas só em 1974, já na Fórmula 5000, é que seu desempenho na pista começou a chamar a atenção. Nesse mesmo ano, tentou participar do GP da Inglaterra, mas o fraco desempenho de seu Brabham BT42 a deixou de fora do grid. Mesmo assim, o quarto lugar na classificação geral da Fórmula 5000 acabaria lhe rendendo bons frutos.
A maior glória
Em 1975, Lella contou com uma enorme ajuda do conde italiano
Vittorio Zanon para bancar sua participação no GP da África do Sul daquele ano, a bordo do
March 741 usado um ano antes por
Vittorio Brambilla. Largou na 26ª posição, último lugar no grid, e abandonou na 23ª volta, com problemas na alimentação do combustível. Na etapa seguinte, na Espanha, Lella correu com o modelo 751 graças a um novo patrocinador, terminando a prova em um excelente sexto lugar, tornando-se a primeira e única mulher a pontuar na Fórmula-1 - marca que permanece inalterada até hoje.

Mas a corrida ficou marcada pela tragédia, por conta do acidente com o alemão
Rolf Stommelen que resultou na morte de quatro pessoas (um bombeiro, dois jornalistas e um espectador) e sérios ferimentos no piloto. Com a interrupção da prova na 29ª volta, apenas a metade dos pontos foi considerada válida para o campeonato.
Sendo assim, Lella terminou a temporada com meio ponto na classificação geral. No restante da temporada, o que se viu foi uma seqüência de abandonos, tendo apenas um sétimo lugar na Alemanha como melhor resultado. Na última etapa do campeonato, nos Estados Unidos, Lella tentou melhor sorte ao disputar a prova pela equipe Williams, sem sucesso.
Em 1976, Lella voltou à March apenas para disputar o GP do Brasil, onde terminou na 14º colocação, sendo logo substituída pelo sueco
Ronnie Peterson. Nesse mesmo ano, ela disputaria suas últimas corridas na Fórmula-1, pela
RAM, não se qualificando na Inglaterra e na Alemanha, terminando o GP da Áustria na 12ª posição, pondo um fim à sua participação na Fórmula-1.
Nos anos seguintes, Lella participou de diversas provas de turismo, incluindo uma etapa da NASCAR em 1977, no circuito de Daytona, encerrando definitivamente a carreira em 1985, ao ser diagnosticada com câncer. A partir daí, tocou sua empresa, a
Lella Lombardi Autosport, especializada na preparação de carros para diversas categorias de rally e turismo, até morrer prematuramente em 3 de março de 1992, perto de completar 51 anos.
Outras Informações:
Nascimento: 26 de março de 1941
Local: Frugarolo (Itália)
Histórico na Fórmula-1:
Estréia: 1974 (GP da Inglaterra / Allied Polymer Group-Ford - Não se qualificou)
Equipes: Allied Polymer Group, March, Williams e RAM
GPs Disputados: 13
Não-qualificações: 4
Pontos: 0,5
Abandonos: 6
Melhor resultado: 6º lugar (1975: Espanha)
* Créditos das Fotos: LAT Photographic e 8W