sábado, 17 de outubro de 2009

1993: Ayrton Senna nos braços do povo

Com a ida de Alain Prost para a Williams, em 1993, poucos se atreveriam a arriscar um nome que pudesse detê-lo. Afinal, a Williams era a equipe a ser batida naquele momento, depois de uma vitória arrasadora nos mundiais de pilotos e construtores no ano anterior.


Talvez nem mesmo Ayrton Senna, apesar da motivação, acreditasse que poderia reverter o jogo a seu favor. É que a McLaren não dispunha de um carro com um chassi eficiente que pudesse compensar a baixa potência do motor Ford, propulsor escolhido para dar lugar ao da Honda depois da parceria de seis anos com os japoneses.

O começo da temporada até que não foi ruim, mas também não foi nada animador. Senna largou em segundo na África do Sul e em segundo terminou, mas atrás de Prost, depois de liderar a prova durante as primeiras 23 voltas.

No Brasil, chegava a hora de partir para o tudo ou nada, em uma tentativa de talvez repetir o espetáculo que dera dois anos antes, ali mesmo em Interlagos, quando levou o público ao êxtase, depois de uma atuação memorável.

A corrida

No dia da prova, pouco antes do warm-up, Senna deixou por alguns instantes seu habitual momento de concentração para prestar atenção em uma jovem de olhos verdes que circulava pelo paddock, trabalhando em Interlagos a serviço da Shell. Era Adriane Galisteu, que dias depois iniciaria um longo namoro com o tricampeão.

Pouco antes da prova, Senna já tinha uma noção exata da tempestade que estava a caminho de Interlagos, pois buscara as informações necessárias com os controladores de vôo do Aeroporto de Cumbica, por intermédio do piloto de seu helicóptero.

Na largada, Prost permanece na frente, Senna assume a segunda posição e deixa Damon Hill (Williams) em terceiro, enquanto Michael Andretti destrói sua McLaren na entrada do "S" do Senna.

Durante 29 voltas, Prost liderou a corrida com tranqüilidade, com Senna em quarto, até o momento em que o temporal cai impiedoso sobre Interlagos. Sem os pneus de chuva, Prost perde o controle do carro no final da reta dos boxes, roda e acerta em cheio a Minardi de Christian Fittipaldi, parado no meio da pista pelo mesmo motivo. Ambos saem da prova.

Com a chuva lavando o autódromo, Senna se anima e parte pra cima de Hill, até conseguir ultrapassá-lo na volta 42,próximo à curva do Laranjinha. A partir daí, foi só alegria.

Senna conduziu seu carro como se mandasse na pista, com domínio absoluto da prova e de todas as circunstâncias que praticamente mudaram a configuração daquela corrida. Ao cruzar a linha de chegada em primeiro, com Hill em segundo e Michael Schumacher (Benetton) em terceiro, a torcida inteira veio abaixo, explodindo de alegria e, para surpresa de muitos, invadindo a pista para celebrar a vitória junto de seu ídolo.

O motor de Senna apagou logo depois da bandeirada e, em uma fração de segundos, o tricampeão se viu cercado pela multidão, proporcionando imagens poucas vezes vistas na história da Fórmula-1. Algo parecido, só mesmo a conquista de uma Copa do Mundo. Ao ser entrevistado pelo então repórter da TV Globo, Roberto Cabrini, Senna confessou ter a certeza de que aquela seria a sua corrida: "Quando Deus quer, ninguém tira."





* Crédito da Foto: Paul-Henri Cahier

2 comentário(s):

Estevis disse...

É esses foram momentos inesquecíveis mesmo!! Bem eu surgeria uma parceria de blogs em troca de links, aceita???
me deixe uma resposta no comentário...

senna889091 disse...

Senna já de olho na loirinha xD.

Não tem o que falar, foi o GP perfeito. Torcida invadindo a pista, Senna gnahando, acidente espetacular Berger-Andretti (é verdade mesmo que o segundo fez´só 3 corridas, completando nenhuma volta?), prost rodando e a pé, torcida gritando que ele sifu, hauhauhaahusa, teve de tudo. É um gp especial pra mim.