sexta-feira, 16 de outubro de 2009

1991: a redenção de Senna

Depois de um serviço completo em Phoenix, com pole e vitória, Ayrton Senna aproveitou o intervalo até o GP do Brasil, em Interlagos, para descansar em sua fazenda em Tatuí, no interior de São Paulo. E ele não só descansou como também pescou muito, acompanhado de um amigo muito especial: o professor Sid Watkins.


Naquele início de temporada, Senna vivia um bom momento. Tinha acabado de se tornar bicampeão na temporada anterior e, apesar das críticas feitas ao novo motor V12 da Honda, não havia nada que pusesse em risco seus planos de repetir a façanha de 1990. Mas isso não bastava. Faltava em seu currículo aquela que ele considerava uma vitória mais do que especial. Faltava vencer em casa, na sua cidade, diante de sua torcida.

Senna vinha tentando vencer uma corrida no Brasil desde sua estreia na Fórmula-1, em 1984, pela Toleman, mas o melhor que havia conseguido até então fora o segundo lugar em Jacarepaguá, em 1986, fazendo dobradinha com Nélson Piquet. Cinco anos depois, apesar das boas expectativas em relação ao McLaren MP4-6, Senna não escondeu em nenhum momento sua preocupação durante os treinos. Por isso, passou várias horas conversando com os engenheiros de sua equipe. Era o tudo ou nada em busca da tão sonhada vitória.

A corrida

O esforço e a dedicação de Senna na definição de estratégias para a corrida acabaram dando excelentes resultados no treino de classificação. A pole position veio fácil, com quatro décimos de vantagem sobre as Williams de Nigel Mansell e Riccardo Patrese. Era um prenúncio do que estava prestes a acontecer no dia seguinte. Dito e feito.

Na largada, Senna largou muito bem, com Mansell atrás, mas mantendo uma boa diferença sobre o piloto inglês durante as primeiras 20 voltas. Na segunda metade da prova, Mansell reage, aproveitando a potência do motor Renault. A diferença em relação a Senna cai e chega a oito décimos de segundo, a ponto de Mansell marcar a melhor volta da corrida.

Na parada nos boxes, o motor de Mansell engasga e ele perde 15 segundos parado, voltando em terceiro, enquanto Senna se sai melhor e leva apenas sete segundos para a troca de pneus. Com o pit stop de Patrese, Mansell reassume o segundo lugar, mas Senna ainda administrava a liderança com boa vantagem sobre o piloto inglês.

Mais tarde, com os pneus desgastados, Mansell faz nova parada e se dá mal novamente, perdendo quase dez segundos no pit lane. Mesmo assim, ao voltar à pista, continua a diminuir a diferença para Senna, com Patrese fazendo o mesmo. Até que, na volta 59, Mansell roda na saída do "S" do Senna, com um problema no câmbio, e abandona a prova, para delírio da torcida.

Começa o drama

Restou a Patrese ir ao encalço de Senna, mas a essa altura advertido pela Williams para que fosse cauteloso, temendo que o problema de Mansell se repetisse. Ainda assim, continuou tirando a diferença. Naquele momento, a seis voltas para o final da prova, Senna começava a enfrentar problemas em seu carro.

Sem o câmbio hidráulico das Williams, a alavanca da McLaren de Senna trava, deixando-o apenas com a sexta marcha, e o piloto dá início a uma dura batalha para manter o carro na pista, principalmente nas tomadas de curva. A diferença para Patrese já chegava a 4,1 segundos. O volante, cada vez mais pesado, transforma-se em um instrumento de tortura para os braços de Senna.

Ao final das 71 voltas, era evidente que o sacrifício físico de Senna havia chegado ao limite. Mas nada disso foi em vão e o piloto brasileiro pôde, finalmente, festejar uma das mais belas vitórias de sua invejável carreira, com Patrese em segundo e Gerhard Berger (McLaren) em terceiro. Nélson Piquet e Roberto Pupo Moreno, ambos da Benetton, terminaram em quinto e sétimo, respectivamente.

No pódio, Senna tentava a todo custo buscar forças para conseguir se manter em pé. Um momento mágico, poucas vezes visto na história da Fórmula-1, mas para nunca mais esquecer.





* Crédito da Foto: Autor desconhecido

3 comentário(s):

Dexter disse...

Po, muito emocionante, depois vi um outro vídeo que tem o pódio também...Esse cara era foda! Meu ídolo!

Parabéns pelo especial do GP BR

Ylan Marcel disse...

Bravo, Ayrton!

senna889091 disse...

Difícil ter alguém que fez o que o Ayrton fez. Ele é único.