quinta-feira, 15 de outubro de 2009

1986: a dobradinha de Piquet e Senna

Nélson Piquet teve em 1985 um desempenho tão desastroso quanto o de 1982. Uma série de falhas mecânicas no Brabham BT-54, a escassez de resultados e a obrigação de passar toda a temporada desenvolvendo os pneus da Pirelli o levaram a uma decisão que agitou o circo da Fórmula-1: correr com a Williams para disputar as duas temporadas seguintes, para o espanto de quase todos ao seu redor.


Havia uma explicação para isso: em 1985, a Williams ainda não era nem sombra da equipe dos sonhos que conhecemos nos anos 90. Esta situação só começou a mudar a três provas para o final do campeonato, e de forma surpreendente, com as vitórias de Nigel Mansell, em Brands Hatch e na África do Sul, e de Keke Rosberg, na Austrália.

De olho em mais vitórias, Piquet sabia exatamente o que estava fazendo quando fechou o acordo com o time de Didcot.

A corrida

Nos treinos em Jacarepaguá, pela primeira vez na história da Fórmula-1, a primeira fila do grid era formada por pilotos brasileiros, com Ayrton Senna (Lotus) marcando a pole position e Piquet largando em segundo, tirando proveito de toda a potência do motor Honda de sua Williams.

Na largada, Ayrton pula na frente e se mantém na liderança, seguido por Mansell, que ultrapassou Piquet sem fazer grande esforço. Ainda na primeira volta, uma manobra arriscada de Mansell, tentando ultrapassar Senna por dentro da Curva Sul, acabou levando o estabanado piloto inglês direto ao guard-rail e ao abandono da prova. A disputa passa então para as mãos de Senna e Piquet.

Na segunda volta, Piquet ultrapassa Senna no meio da reta, repetindo a mesma manobra de Mansell, mas permanecendo na liderança por 16 voltas, quando fez sua parada para troca de pneus. Senna assume a ponta, sendo ultrapassado por Alain Prost (McLaren) na volta seguinte.

Sete voltas depois, Piquet volta a ser o líder, deixando Prost em segundo e Senna colado logo atrás. Na 29ª volta, Senna assume a segunda posição e parte pra cima de Piquet, chegando a ultrapassá-lo na volta 41, mas voltando à segunda posição na volta seguinte.

Daí em diante, Piquet permanece na liderança até conquistar a vitória, fazendo dupla com Senna, mais uma vez em casa, 11 anos depois da histórica dobradinha de José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi em Interlagos. Na terceira posição, o veterano Jacques Laffite (Ligier) completava o pódio.

Ao sair do carro, Piquet definiu a corrida com apenas uma frase: "Foi a vitória mais fácil de minha vida."





* Crédito da Foto: Lemyr Martins

2 comentário(s):

Luís Joly disse...

Ainda era novo e não lembro dessa corrida... Na próxima posso comentar melhor.

Bom texto!

Abs

Servus Corporis Christi disse...

Aquilo, sim, foi uma corrida!!! Tempos ingualáveis na Fórmula 1! Piquet, Senna, Mansell, Fitipaldi, Proust. Ali, sim, havia disputa! Se Schumacher corresse naquela época ele iria saber o que é Fórmula 1. bons tempos!

Sua postagem é um achado! Parabéns!