
A Fórmula-1 vivia uma nova fase em 1983, com grandes mudanças em seu regulamento técnico, como a proibição do efeito-solo, a redução do tanque de combustível de 250 para 220 litros, entre outras alterações. No âmbito desportivo, o pit stop para troca de pneus e reabastecimento, introduzido por Gordon Murray e Piquet na temporada de 82, foi logo copiado e passaria a ser usado com freqüência pelas outras equipes.
Com tantas mudanças, incluindo a chegada da tecnologia na categoria, os custos para manter uma equipe com uma estrutura mínima tornavam-se cada vez mais astronômicos. Era a Fórmula-1 perdendo o pouco que tinha do romantismo de outras épocas, quando tudo não passava de uma grande aventura e o espírito esportivo e a camaradagem ainda reinavam no automobilismo.
Piquet tinha um carro novo em folha, o Brabham BT-52, projetado por Murray em apenas três meses em função da mudança repentina do regulamento, que acabou tornando o modelo anterior obsoleto. Muitas surpresas o aguardavam em Jacarepaguá.
A corrida
Nos treinos, Piquet sentiu a diferença logo de cara ao marcar o quarto melhor tempo, atrás apenas de Keke Rosberg (Williams), Alain Prost (Renault) e Patrick Tambay (Ferrari). Mesmo não tendo conseguido a pole, ainda assim Piquet estava confiante para a corrida.
Na largada, Rosberg saiu-se bem e manteve-se na liderança, com Prost em segundo, Piquet em terceiro e Riccardo Patrese (Brabham) em quarto. Na segunda volta, Piquet ultrapassa Prost e segue em busca de Rosberg, que começava a abrir vantagem sobre os demais. Mas o piloto finlandês só conseguiu manter-se na primeira posição até a sétima volta, quando foi ultrapassado por Piquet.
A partir daí, Piquet precisou apenas administrar sua vantagem durante as voltas restantes para o final da corrida. Para Rosberg, na segunda metade da prova já não havia mais a menor chance de recuperar a liderança. Tudo por causa de um princípio de incêndio em seu carro na 29ª volta, quando parou nos boxes para reabastecer. Ao se ver rodeado pelas chamas, Rosberg saltou do carro e permaneceu fora dele até que o fogo fosse apagado. Feito isso, precisou ser empurrado pelos mecânicos de sua equipe para voltar à pista.
Ao completar 57 voltas, Piquet recebe a bandeirada diante de uma torcida ensandecida e agradecida por ver um ídolo nacional vencendo em casa novamente, desta vez de forma limpa, depois de um jejum de oito anos.
Rosberg e Niki Lauda (McLaren) completaram o pódio, em segundo e terceiro, respectivamente. Mas logo depois, Rosberg seria desclassificado por causa do empurrão nos boxes e a Fisa, em uma decisão absurda, preferiu manter Lauda na terceira posição. Foi a primeira e única vez em que um GP de Fórmula-1 não teve um segundo colocado.
* Crédito da Foto: Autor desconhecido
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



2 comentário(s):
Muito legal essa série sobre o GP Brasil, só foi uma pena ver nesse do Piquet, como já foi o nosso Autódromo de Jacarepaguá...
Ainda bem que eu cheguei a ver algumas corridas nele, não foram de F1, mas ainda assim valeu a pena...
Emocionante essas vitórias dos brasileiros, e muito bom também para podermos conhecer mais sobre a história da F1, em 70 e poco eu nem sabia que ia nascer, e em 83, acho que nem no saco do pai eu tava ainda...rs
Legal a série, texto impecável. Estive no primeiro GP do Brasil em Jacarepaguá em 1978, uma epopéia para um garoto do interior de SP, quase sem grana etc, aliás que eu já narrei em meu blog. Dá saudades.
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