terça-feira, 13 de outubro de 2009

1973: Emerson vence em Interlagos

Depois de vencer na Argentina, Emerson Fittipaldi encontrou em Interlagos um ambiente favorável para mais uma vitória. Afinal, tinha terminado a temporada anterior como Campeão Mundial, tornando-se ídolo nacional e fazendo do automobilismo o segundo esporte mais comentado em qualquer esquina brasileira, depois do futebol.


Mas havia outra razão especial para isso: em 1973, finalmente o Brasil passava a fazer parte do calendário oficial da Fórmula-1. Um ano antes, a principal categoria do automobilismo mundial já havia passado por aqui, mas sem contar pontos para o campeonato.

No dia 11 de fevereiro, um domingo, o público alucinado ocupava as arquibancadas do autódromo, torcendo desde as primeiras horas do dia por mais uma vitória do novo ídolo e por um bom resultado de qualquer um dos outros pilotos brasileiros: Wilsinho Fittipaldi (Brabham), José Carlos Pace (Surtees) e Luiz Pereira Bueno (Surtees).

Naquele tempo, era comum ver o Corpo de Bombeiros direcionando suas mangueiras de água na direção do público para amenizar o calor provocado pelo sol forte, fazendo a alegria de quem já estava curtindo aquela farra desde cedo. Uma imagem que permanece até hoje na memória de quem viveu a Fórmula-1 romântica daqueles dias.

Na primeira fila do grid, vinham o sueco Ronnie Peterson, largando na pole, e Emerson - ambos companheiros de equipe na Lotus -, ao lado de Jacky Ickx, da Ferrari. Pace largava em sexto, Wilsinho em 11º e Luizinho Bueno na vigésima e última posição.

A corrida

Na largada, Emerson correspondeu às expectativas da torcida e assumiu a ponta na entrada da Curva 1, seguido por Pace, que, de forma espetacular, ganhou quatro posições, deixando Jackie Stewart (Tyrrell), Peterson e Ickx para trás, nessa ordem.

Sem poder tirar o máximo de sua Surtees, Pace é ultrapassado por Stewart na segunda volta, perdendo também a terceira posição para Peterson na volta seguinte. Duas voltas depois, o piloto sueco abandonou a prova depois de bater por causa de um problema em uma de suas rodas.

Enquanto isso, Emerson seguia tranqüilamente na liderança, mas tendo Stewart na sua cola e disposto a tudo para roubar-lhe o primeiro lugar. No segundo pelotão, vinham Ickx e Pace, seguidos por Jean-Pierre Beltoise (BRM) e Denny Hulme (McLaren).

Na nona volta, foi a vez de Pace abandonar com um problema na suspensão traseira. Seis voltas depois, Hulme já era o terceiro. Mais à frente, Emerson e Stewart impunham um ritmo alucinado na briga pelo primeiro lugar. E foi assim até o momento em que Emerson cruzou a linha de chegada, com a torcida gritando a plenos pulmões. Stewart e Hulme completaram o pódio. Luizinho Pereira Bueno completou a prova em último lugar, mas Wilsinho foi obrigado a abandonar na 11ª volta, com problemas de câmbio.

Em sua autobiografia Uma Vida em Alta Velocidade, lançada em 2003, Emerson descreve a emoção de correr e vencer em casa:

"A torcida ficou alucinada quando cruzei a linha de chegada. Lembro-me de me aproximar da bandeira quadriculada vendo todas as camisetas e as cabeças erguendo-se como um só corpo, toda a arquibancada de pé, gritando e aplaudindo. Vencer o primeiro Grande Prêmio oficial brasileiro, principalmente em São Paulo, era muito especial para mim. Interlagos sempre fora um mito na minha vida. Naquela pista eu tinha competido de motocicleta, de kart, no nosso Fitti-Porsche. E agora vencia ali uma prova de Fórmula-1."



* Crédito da Foto: Autor desconhecido

2 comentário(s):

Rui Amaral Lemos Jr disse...

Alexandre , eu estava lá , uma pista de verdade , pilotos de verdade , foi uma loucura , em 72 já tinha sido qd ele quebrou . Agora a vitória . Grande Emerson !!

Estevis disse...

gostei do seu blog, da hora, é um dos poucos que eu vi que lembram momentos inesquecíveis como este. Que tal fazer parceria???
Entre no meu blog http://omelhordaformula1.blogspot.com/ e deixe seu comentário com a resposta