E eis que Alessandro Nannini, um dos mais simpáticos pilotos do circo da Fórmula-1, chega hoje aos 50 anos. Nascido em uma rica família da província de Siena, ao norte da Itália, Nannini começou a correr ainda adolescente, no final dos anos 70, primeiro competindo em provas de motocross, passando depois aos ralis.A estréia em monopostos se deu no início dos anos 80, na Fórmula Itália, onde foi campeão em 1981. No ano seguinte, passou a correr na Fórmula-2, pela equipe Minardi, onde permaneceu durante três anos, com resultados pouco expressivos.
Nesse período, competiu também em algumas provas de Sport Protótipos, além das 24 Horas de Le Mans, em 1984. E em 1985, quando a equipe italiana resolveu investir na Fórmula-1, Nannini teve de esperar um ano competindo na estreante Fórmula-3000, pois a FIA não havia lhe concedido a superlicença.
Alessandro Nannini a bordo da Minardi no GP de San Marino, em 1986Só em 1986 pôde realizar o sonho de correr na principal categoria do automobilismo mundial. Mas a Minardi, tida como uma das mais fracas do grid, não deram a Nannini o que ele esperava e só em 1988 a situação começou a melhorar, quando assinou com a Benetton por três temporadas. Os resultados não demoraram a surgir, incluindo dois terceiros lugares, na Espanha e na Inglaterra, terminando a temporada com 12 pontos na classificação geral, além de dois pódios e uma volta mais rápida.
Em 1989, já como primeiro piloto, Nannini teve seus melhores momentos na Fórmula-1, conquistando três pódios (San Marino, Inglaterra e Austrália) e sua primeira e única vitória na categoria, no GP do Japão, em Suzuka, depois de Ayrton Senna - o vencedor real da prova - ter sido desclassificado pela FIA. Naquele ano, terminou o campeonato na sexta posição, com um total de 32 pontos.
Nannini celebra sua primeira e única vitória, no Japão, em 1990Na temporada de 1990, tendo Nélson Piquet como companheiro de equipe, Nannini lutou em pé de igualdade para conquistar seu espaço na equipe. E os bons resultados da temporada anterior se repetiram, rendendo ao piloto um terceiro lugar em San Marino, um segundo na Alemanha e novamente um terceiro na Espanha. Uma semana depois, o destino selaria o fim da carreira de Nannini na Fórmula-1.
Quando Nannini tentava pousar de helicóptero próximo à casa de seus pais, nos arredores de Siena, subitamente a aeronave começou a girar sobre seu próprio eixo e bateu com violência no chão. Com o choque, Nannini foi arremessado longe e seu antebraço fora decepado logo abaixo do cotovelo por uma das pás da hélice. Transportado para Florença, Nannini teve o antebraço reimplatado após dez horas de cirurgia, realizada com sucesso por uma equipe de 15 médicos.
Encerrada sua participação na Fórmula-1, Nannini terminou o ano com 21 pontos no campeonato. A partir daí, dedicou-se às provas de turismo, como o DTM e o FIA GT, onde obteve grande sucesso até o final dos anos 90, quando anunciou sua aposentadoria. Ao deixar as pistas, dedicou boa parte de seu tempo aos negócios da família, sendo hoje um bem-sucedido empresário no ramo de cafés.
Histórico na Fórmula-1:
Estréia: 1986 (GP do Brasil / Minardi-Motori Moderni)
Equipes: Minardi e Benetton
GPs Disputados: 76
Vitórias: 1
Melhores Voltas: 2
Voltas na Liderança: 21
Pódios: 9
Pontos: 65
Abandonos: 44
Melhor Resultado: Uma vitória (GP do Japão, em 1990)
Site Oficial: www.caffenannini.it
* Créditos das Fotos: Sibo e LAT Photographic
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



4 comentário(s):
Não é por nada, mas... eu bebo o café dele todos os dias! É verdade, existe aqui uma livraria com serviço de cafetaria, e a marca que eles servem é a Nannini. E digo isto: é muito bom!
Muito boa matéria Alexandre. Se não me engano ele correu de Alfa Romeo 155 e venceu corrida no DTM tb.Aliás no tempo dele eu achava o DTM mais legal que hoje.
Talvez a melhor corrida do Ayrton, essa que o Nannini 'venceu'.
A tempo: tá escrevendo 'fácil', hein?
Lendo os comentários, fiquei curioso sobre o tal café!
Se eu be me recordo o Nanini voltou a correr na F1 durante testes em 1996 e em 1993...pela Benetton tenho que ver nos meus arquivos pra checar a informação
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