quinta-feira, 16 de julho de 2009

O melhor da Autosport: Race of My Life


A partir de agora, sempre que for possível, tentarei publicar aqui um resumo de alguns dos principais destaques da revista Autosport, a melhor revista especializada em automobilismo do mundo, da qual sou assinante desde janeiro. Será uma maneira de dividir com os leitores deste blog um material que dificilmente será produzido pelos veículos brasileiros. E como é de praxe, darei prioridade ao que fizer referência à história e ao passado da Fórmula-1.

Apesar de a revista chegar ao Brasil com alguns dias de defasagem em relação à data em que é publicada na Europa, tem sido para mim uma importante fonte de pesquisa para um projeto no qual estou trabalhando agora.

Uma das coisas que mais gosto na Autosport encontra-se na última página, onde é publicada a seção Race of My Life. Nela, toda semana um piloto é convidado pelos editores para relatar a experiência mais marcante de sua carreira.

Na edição que tenho agora em minhas mãos, do dia 2 de julho, o piloto da semana é o italiano Alex Caffi, que conta como foi a experiência de perder um pódio quase certo no GP dos Estados Unidos de 1989, na estréia do circuito de Phoenix, quando corria pela Dallara, que fazia seu segundo ano na Fórmula-1.

Em seu depoimento, Caffi relata que, apesar de seu carro não ter sido um dos mais velozes naquele ano - ele corria com uma versão padrão do motor Cosworth -, os engenheiros da equipe fizeram um bom trabalho ao longo da temporada, o que lhe garantiu alguns bons resultados nas pistas de baixa velocidade, como nos circuitos de rua e na Hungria, onde largou em terceiro no grid.

O pódio perdido

Em Phoenix, Caffi largou na terceira fila, tendo ao seu lado o inglês Martin Brundle, da Brabham, largando na quinta posição. Ele lembra quando, ainda na primeira metade da prova, conquistou a terceira posição, tendo à sua frente as McLaren de Senna e de Prost, passando para o segundo lugar cinco voltas depois, após Senna ter ido aos boxes com problemas em seu carro. Caffi permaneceu como vice-líder da prova até fazer sua parada para a troca de pneus, na volta 41.

Com a Dallara, Alex Caffi obteve seu melhor momento na Fórmula-1

Ao terminar o pit stop, o piloto italiano voltou em quinto, atrás de Prost, Gerhard Berger (Ferrari, Riccardo Patrese (Williams) e Eddie Cheever (Arrows), que vinha fazendo uma excelente corrida, depois de largar na 17ª posição. A partir daí, Caffi diminuía sua diferença em torno de um ou dois segundos por volta, aumentando gradativamente suas chances de terminar no pódio. Tudo ia bem até a 52ª volta, quando encontrou seu companheiro de equipe pelo caminho. O nome da criatura? Andrea de Cesaris, que vinha em décimo e àquela altura já era retardatário.

Ao tentar colocar uma volta sobre De Cesaris em uma tomada de curva, Caffi recebeu um ligeiro toque em sua roda dianteira direita e foi direto contra o muro, deixando a prova e encerrando assim o sonho de conquistar seu primeiro pódio na Fórmula-1 e também o primeiro de sua equipe. De Cesaris continuou na prova até abandoná-la a cinco voltas para o final, mas classificado na oitava colocação. Nos boxes, Caffi ainda tentou tirar satisfações, no que De Cesaris retribuiu, alegando não tê-lo visto durante a tomada da curva.

Sem ter recebido qualquer tipo de apoio da Dallara, que considerou o episódio um acidente normal de corrida, Caffi se destacou no restante do ano apenas com o terceiro lugar no grid da Hungria. Deixou a equipe no final da temporada ao assinar com a Arrows.

Minha opinião

Vendo agora as imagens da corrida, dá para perceber claramente que, apesar do histórico de De Cesaris como perigo ambulante, ele não pode ser considerado o único culpado pelo acidente, como disseram Galvão Bueno e Reginaldo Leme durante a transmissão. Poderia ter sido cuidadoso, é verdade, mas Caffi também errou ao tentar fazer a ultrapassagem em um local onde o espaço era mínimo.

* Créditos das Fotos: Alex Caffi e Sibo

4 comentário(s):

João Carlos Viana disse...

Caffi pode ter sido afobado nessa manobra, mas foi de cortar o coração a forma como ele abandonou essa prova...

Alexandre Carvalho disse...

Concordo com você, João. Ainda mais pelo fato de que, no momento do acidente, ainda tinha muita corrida pela frente. Se ele não tentasse ultrapassar o De Cesaris naquela hora, poderia tentar em outra parte do circuito ou em outra volta.

E outra: estando ele perto de conquistar um pódio, a equipe certamente mandaria o De Cesaris facilitar a vida do Alex.

Daniel Médici disse...

Posso passar horas lendo as últimas páginas das Autosport (mais ou menos) recentes que se acumulam na Livraria Cultura da Paulista (a 50 reais não dá pra levar pra casa). Esses posts serão muito bem-vindos!

Alexandre Carvalho disse...

Você tem razão quanto ao preço da revista, Daniel. E justamente por isso é que resolvi assiná-la. No total, a assinatura anual saiu por R$ 500 e mais um pouco. Pesa na fatura do cartão, mas fazendo os cálculos depois, cada revista acaba saindo por R$ 12, aproximadamente.