sábado, 25 de julho de 2009

Foi por pouco, Felipe

Depois de passar a noite em claro ouvindo o rádio enquanto lia o noticiário da Fórmula-1, durante uma madrugada fria e chuvosa aqui em São Paulo, decidi não acompanhar os treinos de sábado ao vivo e fui dormir. Deixei o gravador de DVD registrando tudo para que eu pudesse acompanhar mais tarde.


Exatamente às 10h, fui acordado pelo celular, que, ironicamente, berrava alucinado com o tema do Plantão da Globo. Era Alexander Grünwald, produtor do Sportv, me avisando sobre o que tinha acontecido com Felipe Massa.

Imediamente, lembrei de Henry Surtees, o piloto da Fórmula-2 que morreu no domingo passado em uma situação semelhante. E veio à minha mente a lembrança de algo que eu havia pensado poucas horas antes, enquanto assistia à gravação da última etapa do WTCC, mostrando o helicóptero que levaria Surtees ao hospital onde ele veio a falecer horas depois: "Se uma coisa dessas acontece na Fórmula-1, seria novamente terrível. Algo para o qual continuamos não preparados".

Ao ouvir o relato do Alex, confesso que as pernas tremeram, causando a mesma sensação que tive no dia 29 de abril de 1994, quando recebi o telefonema de um amigo me informando sobre o acidente de Rubens Barrichello, em Ímola, enquanto Galvão Bueno passava as informações ao vivo. E hoje, ao ligar a TV, em poucos minutos veio o alívio assim que foram mostradas as primeiras imagens de Felipe, aparentemente bem, consciente e mexendo os braços.


Vendo a primeira foto do piloto logo após ele ter sido retirado de sua Ferrari, ficou claro que foi muita sorte a viseira de seu capacete não ter sido perfurada pela mola do carro de Barrichello, o que poderia ter resultado em conseqüências bem piores do que a que vimos hoje.

Situação bem parecida ocorreu em 1972, no GP da França, quando o austríaco Helmut Marko teve a carreira encerrada depois de ser atingido no olho esquerdo por uma pedra lançada pela Lotus de Emerson Fittipaldi, ficando parcialmente cego.

Com as primeiras imagens de Felipe sendo levado na maca, ficou claro que ele estava aparentemente bem, embora esteja agora em coma induzido após a cirurgia a que fora submetido (procedimento normal nesses casos). A partir daí, não havia necessidade da dramatização exibida por Galvão Bueno até o término do treino, querendo, de olho na audiência, transformar o episódio em algo mais grave do que aquilo que a realidade mostrava, gerando um clima trágico totalmente desnecessário.

Não vou esticar este assunto aqui, como fazem 90% dos blogs quando reproduzem tudo o que já foi divulgado pela imprensa (até hoje fico me perguntando sobre a real necessidade disso). A boa notícia já veio e a nós só resta torcer pela rápida recuperação de Felipe, para que volte logo a fazer o que mais gosta nessa vida.

* Créditos das Fotos:Reuters e Tamas Kovacs/EFE

3 comentário(s):

Nando Borges disse...

É, é um acidente que parece estúpido, mas acontece (eu só não imaginava que ia acontecer tão rápido depois do episódio com Henry Surtees).
Tô torcendo pela recuperação rápida do Massa, o cara corre bem. Tô torcendo também por um narrador melhor e menos oportunista na Rede Globo, jornalistas assim também não seriam ruins!

Abraço.

Estava Perdida no Mar disse...

Cara, tinha que ser o rubinho. Acho q tenho mais pena dele do que do Felipe;

Mas q sorte este capacete.

Alexandre Carvalho disse...

O Barrichello não teve culpa nenhuma pelo que aconteceu. Foi apenas uma coincidência o fato de ter sido o carro dele.

Se não tem coisa melhor para comentar e sequer acompanha as corridas, por favor, melhor não opinar.