O aniversariante de hoje é alguém que, embora tenha sido considerado uma das promessas da Fórmula-1 dos anos 80, é mais lembrado atualmente por sua determinação em enfrentar a maior adversidade que o destino lhe trouxe. Diversidade esta que acabou encerrando sua carreira nas pistas há pouco mais de 20 anos, mudando sua vida para sempre.Philippe Streiff nasceu há 54 anos, em Grenoble, a 560 km de Paris, e desde criança demonstrou interesse pelo automobilismo. Seu primeiro contato com as quatro rodas ocorreu aos dez anos, com um kart comprado por seu pai e com o qual conquistou alguns campeonatos.
O início como profissional
Em 1977, aos 22 anos, venceu o campeonato do Volante Motul, passando a correr na Fórmula Renault no ano seguinte. Em 1979, passou a competir na Fórmula-3 Francesa, onde foi campeão em 1981, alternando com algumas disputas na versão européia da categoria.
Entre 1982 e 1984, disputou a Fórmula-2 Européia pela equipe AGS e, graças ao bom desempenho que obteve nesse período, apesar das poucas vitórias, acabou garantindo um lugar como piloto de testes da Renault na Fórmula-1, onde estreou em 1984, no GP de Portugal, pilotando o terceiro carro da equipe.

Em 1985, voltou a correr pela AGS, desta vez na Fórmula-3000, categoria criada para substituir a Fórmula-2. Nesse mesmo ano, recebeu um convite da Ligier para voltar à Fórmula-1, no lugar do recém-demitido Andrea de Cesaris, após o estrago causado por ele no GP da Áustria.
No final da temporada, conquistou seu melhor resultado na categoria ao chegar em terceiro na Austrália, que recebia a Fórmula-1 pela primeira vez. O pódio veio de forma inusitada, ao cruzar a linha de chegada com apenas três rodas, depois de quebrar a suspensão de seu carro em uma disputa pelo segundo lugar com Jacques Laffite, seu companheiro de equipe.

Em 1986, Streiff estreava na Tyrrell, com a qual assinou um contrato de dois anos e obteve alguns bons resultados. Dois anos depois, voltou à AGS, uma das equipes estreantes da temporada, sendo o único piloto da escuderia. Apesar das boas disputas, terminou o ano sem marcar pontos.
Para a temporada de 1989, Streiff alimentava boas expectativas para sua carreira. Afinal, tinha tido um bom ano com a AGS na temporada anterior, apesar de sair zerado na classificação geral, e seria mais uma chance de mostrar seu trabalho a eventuais caçadores de talentos. Mas um acidente acabou com seus planos.
No dia 15 de março, durante testes pré-temporada realizados no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, seu carro perdeu o controle de forma inesperada na Curva do Cheirinho, capotando diversas vezes até a área de escape. Com o choque, o santantônio partiu e a cabeça de Streiff absorveu todo o peso do carro, causando-lhe sérias lesões no pescoço e na medula.
Uma série de falhas na assistência ao piloto ainda na pista, somadas à demora para transferi-lo e operá-lo no hospital, acabaram selando o destino de Streiff, levando-o à condição de tetraplégico. Um desfecho inaceitável para qualquer um que um dia sonhou em viver nas pistas.
Hoje, Streiff dedica-se a uma série de projetos em prol da causa dos deficientes físicos, tornando-se uma referência em seu país.
Histórico na Fórmula-1:
Estréia: 1984 (GP de Portugal / Renault)
Equipes: Renault, Tyrrell e AGS
GPs Disputados: 53
Pódios: 1
Pontos: 11
Abandonos: 24
Melhor Resultado: 3º colocado no GP da Austrália, em 1985
Site oficial: www.philippe.streiff.com
* Crédito das Fotos: Arquivo pessoal de Philippe Streiff (exceto a do acidente, capturada da Internet)
Jornalista, 37 anos. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70, quando Emerson Fittipaldi corria pela Copersucar. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.


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