A resposta para a pergunta acima é um tanto óbvia, afinal, boa parte das pessoas que curtem o automobilismo - brasileiros ou não - torce para que o sobrenome Senna volte às manchetes do noticiário esportivo, exatamente como aconteceu com seu tio durante dez anos. O rapaz já mostrou que é bom no que faz e é natural que mereça uma chance na principal categoria do automobilismo esportivo mundial, independentemente do sobrenome famoso.O problema é que, do jeito que as coisas estão caminhando com a Honda, com rumores vindo de todos os lados e uma indefinição que parece não ter fim, o cenário que vem sendo construído nas últimas semanas não é nada animador. Mesmo com as notícias apontando para a quase certeza de termos Bruno Senna finalmente estreando na Fórmula-1, não tenho outra alternativa senão torcer para que ele espere mais um ano para isso acontecer.
Essa hipótese, é claro, nem de longe é cogitada por quem mais tem interesse em vê-lo na categoria, tamanha a quantidade de interesses comerciais que envolvem sua pessoa. Nesse grupo incluo imprensa, patrocinadores, parceiros e torcedores. Não é para menos: a chegada de um nome de impacto ao circo de Bernie Ecclestone, a princípio, é garantia certa de audiência e de um retorno publicitário considerável, o que certamente deixaria muita gente feliz e com mais grana no bolso.
Mas o que antes era um receio que eu dividia apenas com alguns amigos já vejo pipocar em alguns sites, jornais e revistas especializadas: a possibilidade de ver Bruno queimar seu nome e sua imagem ao ocupar os últimos lugares do grid, uma vez que a cada ano a Honda constrói um carro pior do que o modelo anterior. E este ano não será diferente. Caso seja realmente comprada nas próximas semanas, dificilmente terá condições de dar a Senna um carro competitivo e capaz de abalar a confiança das equipes rivais.
A lógica é simples: até agora, sete equipes já lançaram seus carros, com exceção da própria Honda, da Toro Rosso e da Force India. Todas, depois de um mês participando dos testes de inverno, já têm informações suficientes para começar a providenciar quaisquer mudanças que se façam necessárias e que garantam um desempenho decente em Melbourne.
Isso é a Fórmula-1, o que leva a uma conclusão óbvia: entrar em uma disputa desse nível sem o mínimo de condições técnicas para fazer frente à concorrência é, na melhor das hipóteses, um tiro no pé. Ruim para a equipe, pior para o piloto, principalmente quando se trata de um estreante.
Bruno ainda tem a seu favor o fato de, estando em uma equipe sem a menor chance de andar na frente, diminuir um pouco as expectativas em torno de seu nome. No Brasil, é claro que as coisas não vão funcionar dessa maneira. Ao primeiro vacilo, independentemente de problemas no carro ou de fatores externos, a imprensa vai cair matando, como sempre faz nessas horas. E o que é pior: com a torcida pegando carona no oba-oba.
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



4 comentário(s):
a coluna do flavio gomes hoje no lance aborda o mesmo assunto (eu não sei se tem versão online - eu só leio a versão impressa)
Boa Noite!
Sua máteria é muito oportuna, penso da mesma forma que te.
Como sempre a rede globo vai dar uma boa puxada de saco,é claro,não duvido do talento desse garoto, mas a f-1 é também bastante injusta, ainda mais como ele está envolvido nessa porcalhada toda que é a Honda,ex-Honda ou sei lá o que.
Piquet foi bastante limado em 2008 e Senna corre esse risco também,já que seu ínicio na categoria está muito obscuro.Preferia vé-lo com sendo piloto de testes em outra equipe.
Tenho um blog sobre f-1,dá uma passadinha lá.
www.claudiof1.blogspot.com
Um abraço.
alexandre, acho que é melhor ele correr mesmo que em uma carroça, afinal 3 anos de gp2 é um pouco demais...
Alexandre,
Como blogueiro, tenho que confessar que seria interessante e renderia muitos posts, consequetemente audiência e page views, (não vamos ser hipócritas e negar, rsrsrs...), mas em termos de pespectivas pessoais para a própria carreira do Bruno, eu acho que vc tem razão. O Di Grassi acertou mais uma temporada na GP, e arrisca-se a ser o próximo Georgio Pantano da categoria.
Mas algo que eu tenho que reconhcer é que o Bruno tem coragem. O Buemi aproveitou todas as oportunidades para adquirir milhagem nos testes com a STR, mesmo com um carro defasado, enquanto o Bruno, se conseguir o seu lugarzinho, terá pouquíssima experiência com um carro de F1.
É só feeling, mas eu acho que o Senninha tem mais potencial que o PIquetzinho. É apenas uma opinião, não é baseada em nada muito concreto, por isso eu acho que ele deixaria uma impressão melhor que o Nelsinho em sua primeira temporada...
Abs
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