Uma delas aconteceu em 1994, no começo da temporada, e foi lembrada em detalhes no livro Nada Mais Que A Verdade - A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares, de Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima, lançado em 2002 pela Carrenho Editorial. Foi quando, na tentativa de repetir a cobertura bem-sucedida do GP do Brasil de 1992, feita por João Gordo, do Ratos de Porão, a equipe do jornal convocou uma figura que, por si só, seria capaz de virar notícia em Interlagos: Zé do Caixão.
No primeiro texto que publicou para o jornal, fez logo questão de impor seu estilo ao se referir à atmosfera sempre presente na Fórmula-1:
O piloto em cada prova vive a emoção do último minuto de vida. Sua fama é merecida, não impora se é o primeiro ou o último. Todos têm um coração pulsando e uma pessoa esperando por eles. O manto da morte é igual para todos.
Continuando a aventura em seu primeiro dia em Interlagos, Zé do Caixão fez de tudo um pouco, sempre tentando algum tipo de contato com as principais estrelas do circo. Rubens Barrichello, para variar, assustou-se com a aparência do famoso cineasta (o livro não diz se ele chorou ou não). Mas de Ayrton Senna o intrépido repórter sequer conseguiu se aproximar, impedido diversas vezes por Paulo Maluf, então prefeito de São Paulo.
No dia seguinte, Zé do Caixão teve sua credencial cassada pela organização da prova, com o argumento de que sua figura atraía a atenção de vários curiosos, atrapalhando o trabalho das equipes de segurança em Interlagos. O que não impediu que o "repórter especial" do finado NP buscasse histórias curiosas do lado de fora, junto aos portões do autódromo.
O fato mais curioso, porém, foi registrado em uma foto publicada na edição da sexta-feira anterior à corrida, dia 25 de março, em que Zé do Caixão aparecia nos boxes da Simtek, benzendo o carro do austríaco Roland Ratzenberger. A foto vinha acompanhada do seguinte relato:
O Zé do Caixão deu a maior força pra Simtek, a pior equipe da Fórmula-1. Nosso enviado especial exorcizou a carroça da equipe e encheu de poder os pilotos Roland Ratzenberger e David Brabham com a força das trevas. O pessoal da Simtek adorou o Zé. Os carros da equipe são pretos e roxos, as cores preferidas do Zé, e ele acha que a Simtek pode surpreender. "Eu tirei todas as forças negativas do carro e, com essas cores, eles têm boas chances.
Ratzenberger sequer se classificou para a corrida no Brasil e, um mês após a "bênção", morreu durante os treinos do GP de San Marino, em Ímola.
A foto? Vocês podem vê-la aqui.
Jornalista, carioca e desde 2005 vivendo em São Paulo. Acompanha a Fórmula-1 desde o final dos anos 70. Hoje, faz questão de recordar os melhores momentos da principal categoria do automobilismo mundial.



7 comentário(s):
Incrivel! Nem o Rianov sacaria uma foto destas... mas é bem promenitório.
ah, essa vou ter que emular lá no jpezzolo! incrível!
Gaita Pezzolo, tu antecipaste-me! Ia meter isto na segunda-feira, nas minhas "Historietas"...
Alexandre, não te importas que meta isto, pois não? Devidamente creditado, claro...
Oi, Speeder. Fique à vontade. Quanto mais gente souber dessa historia maluca, melhor. Muitos aqui no Brasil nunca viram essa foto. Só mesmo quem leu o livro sobre o Notícias Populares ou quem leu a reportagem no próprio jornal.
Coffin Joe é Hours concours do bolão pé na cova !
fantástico o resgate dessa história
Isso não prova necessariamente que a bênção é macabra, apenas que ela não dura muito. No GP do Pacífico, até que o Roland surpreendeu...
será q rola um filme do zé do caixão de f1 kkk?
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